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Edição Abril/Set - 2002
Doença periodontal e a mulher
por Dra. Adriana M. Pupo de Toledo Piza
 
 

Nesta edição, o tema escolhido foi a mulher e a doença periodontal. Todos nós sabemos que a mulher passa por diversas alterações hormonais ao decorrer da vida e , em algumas épocas essas alterações são mais evidentes.

Os Profs. Drs. Francisco Roberto Bueno de Moraes e Christian Wehba fizeram um apanhado bem claro sobre essas fases em que a mulher passa por alterações hormonais relacionando-as com a situação periodontal da mulher.

Especificamente o Dr. Fernando Aguiar, especialista em Medicina Preventiva, nos falou sobre as conseqüências da DP (Doença Pe–riodontal) durante o período gestacional principalmente no que se refere a ocorrência de partos prematuros.

Essa questão tem sido bastante discutida pelos perio–dontistas e foi pauta de periódicos como a Revista da APCD março/abril 2002 e do JADA (The Journal of the American Dental Association) julho/ agosto 2002.

Alguns pesquisadores deram início aos estudos que visam entender realmente qual a relação entre a DP e o parto prematuro e se realmente existe essa relação.

Em 1996, Offenbacher e colabora–dores observaram que mulheres grávidas que apresentam periodon–tite correm um risco 7,5 vezes maior de sofrerem parto prematuro. Já o trabalho de Davenport (1998), mostra que esse risco é de apenas 3,5 vezes, ou seja, conclui-se que mais pesquisas ainda são neces–sárias.

Jeffcoat e colaboradores, em 2001, perceberam que o risco do parto prematuro é diretamente proporcional à gravidade da doença periodontal. Provavelmente, o mecanismo que ocorre é o seguinte: moléculas biologicamente ativas como PGE2 e TNF2 (Prostaglandina e Fator Tumoral de Necrose), que normalmente são elevadas durante o parto podem atingir níveis altíssimos pelo processo de infecção.

Esse nível anormal é mantido por uma fonte constante de bactérias, componentes bacte–rianos e moduladores imunes da periodontite. Se o nível de moléculas atingido for necessário para iniciar o trabalho de parto, a conseqüência é o parto prematuro, caso a ges–tante não tenha completado 37 semanas de gestação.

Em 1998, Offenbacher e cola–boradores apresentaram estudo que constatou níveis acentuados de prostaglandina no fluído gengival de pacientes gestantes com doença periodontal induzindo ao parto prematuro.

A seguir, vamos conhecer com um pouco mais de detalhes a saúde da mulher, suas fases hormonais e como a doença periodontal pode agir sobre elas.



 

 


Dra. Adriana M. Pupo de
Toledo Piza