Editorial

Diretor do jornal: Dr. Walter Tom - wtom@uol.com.br

Jornalista responsável: Regiane Monteiro (MTB 12.6438) - regiane_monteiro@hotmail.com

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Edição Abril/Set - 2002
Muito ainda tem que ser feito
 
 

Mais um ano se passou, nem percebemos e já é hora de fazermos o balanço. Balanço do que produzimos, fizemos e do que poderíamos ter feito.
Chamou-me a atenção uma matéria publicada no jornal do Conselho Federal de Odontologia (CFO), na seção “Visão odontológica” com o tema “Saúde não é mercadoria” escrita pelo presidente do CRO-SE, Dr. Augusto Tadeu Ribeiro Santana, que diz: “A Atual crise pela qual passa a Odontologia, agravada pelo excessivo número de faculdades, escassez de clientes nos consultórios e grande número de colegas desempregados, vem determinando modificações substanciais em nossa profissão. Passamos de profissionais liberais a reféns de planos e seguros de saúde, com remuneração que não condiz com a nossa formação científica e responsabilidade profissional”.
E o que fizemos em prol de nossa classe profissional? Estamos realmente vendo nossa profissão ser esmagada pelos planos de saúde que oferecem plano odontológico até de graça, como se os serviços odontológicos nada custassem. Ora os custos de um trabalho odontológico não são apenas os custos diretos de material odontológico (anestésico, luvas, resina, babadouro, guardanapo, etc.) e sim outros custos que o dentista não é orientado a computar, como: água, luz, salários de funcionários, encargos sociais, impostos e taxas, manutenção de equipamentos, atualização científica (pois os cursos de aperfeiçoamento profissional são necessários para sua evolução técnica. Além disso, nesse período o profissional não está trabalhando e, portanto, não está produzindo, nem sendo remunerado), sem falar na depreciação dos equipamentos. Alguns depreciam em dez anos ou menos e terão que ser substituídos, o que significa que, a cada dez anos, temos que praticamente montar nosso consultório novamente.
É necessário refletir e tomarmos uma postura frente aos fatos, pois, nossa profissão que já foi muito concorrida por estudantes em fase de escolha da carreira a seguir, hoje, “o espelho da vida real” é mostrado pelo desinteresse por nossa profissão, pois, os jovens já não querem mais cursar odontologia. As faculdades que proliferaram abusivamente em número, hoje não preenchem mais suas vagas, algumas até com menos da metade dos alunos de outrora. Quando iremos acordar?
O dentista para fazer um trabalho restaurador qualquer não consegue executá-lo em apenas 10 ou 15 minutos, sem comprometer a qualidade. Ora, será que queremos fazer consultas de 10 ou 15 minutos para ter maior rotatividade e compensar os custos, ou o esquema é: “meu negócio não é lucro e sim movimento” como dizia o comercial de tv do “Zé da lona”.
Por esse motivo, em setembro houve o Fórum Nacional de Convênios e Credenciamentos, em Goiânia. Na ocasião foram determinados e reafirmados valores de referência para cada procedimento. Além disso, um projeto de lei também está em tramitação no congresso para que os planos não possam pagar menos do que o determinado nesses valores de referência, pois, tais empresas ignoram esses valores, reembolsando por suas “tabelas” com valores muito inferiores.
Essa deverá ser a grande pauta da nossa categoria em 2003.
Bom ano e vamos unir-nos para defender nossa categoria e exercê-la com dignidade.


Walter Tom - Diretor do Jornal Periodonto