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Aspectos
clínicos e histológicos de implantes dentais
removidos devido à mobilidade
Resumo:
perdas implantares são raras, mas podem ocorrer. Fatores
mecânicos são com certeza importantes nesses
casos assim como os biológicos, iatrogênicos
e funcionais. A mobilidade é o sinal cardeal na perda
de um implante. Três principais fatores etiológicos
têm sido sugeridos para explicar as perdas implantares:
infecção, cicatrização prejudicada
e sobrecarga oclusal. O objetivo desse estudo é avaliar
histológicamente e histoquímicamente, o tecido
conjuntivo fibroso encontrado ao redor de implantes dentais
removidos em razão da mobilidade.
Métodos:
no período de cinco anos, 51 implantes foram perdidos
em razão da mobilidade e passaram por exame histológico.
Foram obtidas de cada implante fatias finas.
Resultados:
quase todos os implantes eram originados de regições
posteriores (pré-molares e molares), tanto maxila quanto
da mandíbula. Em todos houve presença de 600
a 1.100 em espessura de tecido conjuntivo entre os implantes
e o osso circundante. Em cada caso, o osso circundante apresentou-se
compacto e altamente mineralizado, com canais harvesianos
bem estruturados e poucas áreas de remodelação.
Não foram encontradas bactérias na maioria das
porções coronárias dos implantes. Um
infiltrado escasso de células inflamatórias
estava presente no tecido conjuntivo de alguns espécimens.
Em cerca de 10% dos espécimes, o epitélio tendeu
a cercar todo o perímetro do implante.
Conclusão:
nossos resultados histológicos foram compatíveis
com a hipótese de que fracassos tardios em implantes
osseointegrados podem ser cusados por uma combinação
entre pobre qualidade óssea, trauma mecânico
ao osso e sobrecarga oclusal.
É importante entender
a etiopatogênese dos fracassos implantares para minimizá-los.
Além disso, por meio de nosso conhecimento, podemos
melhorar a qualidade dos mateiriais e das técnicas
cirúrgicas e protéticas. Perdas implantares
podem ser divididas em 4 categorias: biológicas, mecânicas,
iatrogênicas e funcionais. A perda biológica
ocorre devido à insuficiência dos tecidos mineralizados
periimplantares em estabelecer ou manter a osseointegração.
A habilidade em manter a interface osseo-implante saudável
é então de crítica importância
para a sobrevivência do implante a longo prazo. Fatores
mecânicos empregam um papel importante em perdas implantares,
apesar de sua natureza exata não ser estabelecida.
Isidor mostrou que sobrecargas oclusais podem ser o principal
fator causador de fracassos em implantes osseointegrados.
A sobrecarga oclusal é provavelmente pequena para produzir
um fracasso traumático agudo, porém, a longo
prazo, microfraturas por fadiga no osso podem exceder o potencial
reparador do mesmo, causando perda de integração
do implante. Portanto, avaliar a mobilidade de implantes é
de grande interesse para clínicos e pesquisadores.
Clinicamente, a falta
de osseointegração é caracterizada pela
mobilidade do implante. A mobilidade é o sinal cardeal
de perda implantar, e indica o estágio final da doença
peri-implantar, caracterizada por uma perda completa da interface
osso-implante. Três maiores fatores etiológicos
têm sido sugeridos: infecção, cicatrização
prejudicada e sobrecarga oclusal. Outros fatores que podem
estar associados são: trauma cirúrgico excessivo
e falta de biocompatibilidade. A análise dos tecidos
moles formados na interface osso-implante é importante
no diagnóstico e no tratamento das perdas implantes.
A caractericação da camada fibrosa não
tem sido relatada por perda tardia de implantes dentais assépticos.
Dois fatores apresentaram-se importantes na etiologia da perda
de implantes. A primeira é a falta de estabilidade
inicial e a segunda é a presença de resíduos
alimentares e placa bacteriana. Ainda não está
completamente evidente qual quantidade de movimento é
compatível com o aumento de osseointegração
na siperfície do implante; em particular, é
escassa a informação sobre os ciclos de amplitude
e o tempo entre os episódios de tensão. Aspenberg
et al. revelou que, nas cãmaras de titânio, uma
situação de movimento de duração
relativamente pequena por dia era suficiente para inibir o
crescimento ósseo. Aspenberg e Hervertsson mostraram
que, após 2 semanas de movimentação,
áreas localizadas de reabsorção óssea
e de metaplasia de tecidos moles foram encontradas. Após
6 semanas de movimentação, esse tecido mole
coalesceu para formar uma membrana fibrosa contínua.
De acordo com estes autores, estímulos mecânicos
são de extrema importância na causa de perda
por sobrecarga oclusal de implantes.
O objetivo deste estudo
é avaliar histologicamente e histoquimicamente o tecido
conjuntivo fibroso encontrado ao redor de implantes dentais
fracassados.
Materiais e Métodos
Nós recuperamos
em nosso laboratório (1995-2000) 51 implantes (45 com
superfície em titâneo e 6 com superfície
em hidroxiapatia), que foram removidos devido à mobilidade
em 48 pacientes, e que foram enviados para o nosso departamento.
Todos os implantes foram submetidos à carga oclusal,
e após um determinado tempo, removidos com uma broca
trefina de 5mm. Em todos os casos, uma radioluscência
peri-implantar estava presente. As posições
dos implantes estão representadas na tabela1 - clique
aquí para ver tabela 1 . Catorze pacientes
eram fumantes e 10 pacientes portadores de diabetes (sendo
3 fumantes e diabéticos). Uma mínima prevalência
de implantes perdidos foram encontrados (27 na maxila contra
24 na mandíbula). Quase todos se localizavam na região
posterior (pré-molares e molares) de ambas as arcadas
(45 de 51). O tempo médio de permanência do implante
após a sua inserção no osso foi de 27
meses para os implantes revestidos por camada de titâneo
e de 33 meses para os implantes revestidos por camada de hidroxiapatita.
Tratamento dos espécimens:
Os implantes e os tecidos
circundantes foram lavados em solução salina
e imediatamente fixados em paraformaldeído a 4% e glutaraldeído
a 0,1% em uma solução salina de cadodilato a
0,15M, 4ºC e pH 7.4, para serem analisados histologicamente.
os espécimens foram tratados para a obtenção
de secções transversais finais e, depois, para
serem desidratados em uma série crescente de soluções
aquosas e embebidos em resina (Kulzer, Germany). Após
a polimerização, os espécimens foram
seccionados através de seu eixo longitudinal por meio
de um disco de diamante de alta precisão de aproximadamente
150 a um de raio de 30um de largura, montando em uma máquina
para trituração especial. Um total de 3 lâminas
para microscopia foram obtidas de cada implante. As lâminas
foram pigmentadas com fucsina e azul de toluidina, e foram
observadas por meio de microscópio óptica (Laborlux,
Leitz, Wetzlar, germany). A análise histoquímica
foi feita de acordo com um protocolo previamente publicado
(12). A histoformetria foi feita por meio de um microscópio
(Laborlux, S, Leitz) acoplado a um computador, uma câmara
de vídeo e um software especial (KS 100, Zeiss, Hallbergmoos,
Germany). As imagens obtidas foram analizadas por meio desse
software.
Resultados
Na região mais
coronária dos implantes, foi observada completa aus~encia
de colônias bacterianas. Em todos os espécimens,
houve presença de 600 a 1,100 um em espessura de tecido
conjuntivo entre os implantes e o osso circundante (Fig. 1).
este tecido conjuntivo apresentou-se denso, com poucas células
(Fig. 2), e um pobre infiltrado celular inflamatório
foi encontrado em cerca de 10% dos casos. Em cada caso, o
osso a uma certa distância do implante apresentou-se
compacto e altamente mineralizado, com canais de Havers bem
estruturados e poucas áreas de remodelação.
No osso localizado em íntimo contato com o implante,
não foram encontradas lacunas de Howship (Fig. 3).
As fibras percorriam paralelamente à superfície
do implante e à superfície de osso circundante
ao implante (Fig. 4). Em quase 90% dos espécimens,
não foram observadas na superfície dos implantes
células epiteliais, enquanto que, nos 10% restantes,
o epitélio encontrado tendeu a circundar o perímetro
do implante (Fig. 5). Nos implantes que foram colocados para
suportar uma "overdenture" na mandíbula,
e foram removidos por mobilidade após um período
de 6 meses após iniciada a garga oclusal, reabsorção
óssea foi observada; em várias porções
da interface osso-implante, também foram observadas
áreas de desmineralização óssea.
A pigmentação de von Kossa mostrou que o osso
remanecente era altamente mineralizado. A pogmentação
histoquímica por fosfatase ácida (ACP), mostrou
que há um aumento significativo de células ACP-positivas
ao redor dos implantes (Figs. 6 e 7).
Discussão
Os aspectos clínicos
são diferentes ao redor dos implantes que fracassaram
devido às causas que podem ser infecciosas ou não-infecciosas.
implantes que fracassaram devido aos processos infecciosos
mostram as seguintes características: ausência
de mobilidade; mobilidade; perda progressiva do osso marginal;
produção de um defeito em forma de cratera;
sinais evidentes de infecção e inflamação;
e infiltração dos tecidos periimplantares por
células inflamatórias. Implantes que foram perdidos
devido à etiologia não-infecciosa são
caracterizados por mobilidade, radioluscência periimplantar,
ausência de sinais evidentes de infecção
e inflamação. Esposito et al. encontrarem dois
diferentes padrões histológicos ao redor de
implantes perdidos: migração epitelial, juntamente
em vários casos com um infiltrado de células
inflamatórias; e tecido conjuntivo denso sem a presença
de células inflamatórias.
Nós encontramos
diferentes resultados, nos quais, nos casos em que a migração
apical do epitélio estava presente, nenhum infiltrado
de células inflamatórias foi observado. O tecido
conjuntivo fibroso denso com ausência ou presença
de escasso infiltrado inflamatório encontrado ao redor
dos implantes que fracassaram devido à etiologia não-infecicosa,
é similar ao encontrado ao redor de implantes colocados
sob condições esperimentais, tanto sob trauma
intencional, quanto sob micromovimentação a
longo prazo. As situações clínicas onde
este tecido está presente podem ser explicadas por
uma inabilidade ou uma menor habilidade do tecido receptor
em neoformar osso ao redor do implante, devido à cirurgia
traumática ao osso, dificuldade no processo de cicatrização
em alguns pacientes receptores, ou ocorr~encia de micromovimentação
da interface osso-implante. Nossos resultados histológicos
apontaram para as seguintes hipóteses: trauma mecânico
ao sso durante a inserção do implante produz
um leve superaquecimento sem provocar necrose óssea.
Essa lesão óssea causa um retardo na regeneração
óssea ao redor do implante, levando a uma porcentagem
de contato reduzida na interface osso-implante. Isso, com
o tempo, leva a uma menor resistência a estresses mecânicos
devido a cargas oclusais, resultando em reabsorção
do osso periimplantar e formação de um tecido
comjuntivo na interface osso-implante, leando à mobilidade
e conseqüête perda do implante. A presença
da fosfatase ácida, observada em alguns de nossos espécimens,
tem sido observadas nos tecidos moles encontrados ao redor
do colo de próteses sobre implantes perdidos; além
disso, no colo desses espécimens, a atividade de colagenase
e a presença de protaglandina E2 foram encontradas.
Essas substâncias podem explicar o aumento de largura
progressiva da membrana de tecido mole enquanto ocorre a reabsorção
óssea.
Forças de tensão
determinam o local de produção de PGE2 que,
por conseqüência, induzem a produção
de citocinas fibrinogênicas, que transformam células
progenitoras de fatores de crescimento em TGF-B. Em adição,
a qualidade óssea que suporta o implante é de
extrema importância para um prognóstico a longo
prazo do implante. Implantes perdidos têm mostrado ao
seu redor um aumento na quantidade de osso com trabeculado
de baixa densidade. A formação de tecido conjuntivo
pode ocorrer devido a uma inabilidade em estabelecer um equilíbrio
biomecãnico deste implante em função.
A obtenção e manutenção da osseointegração
em áreas ósseas de qualidade inferior podem
significar um grande desafio para o clínico. Além
disso, as forças oclusais aplicadas na regição
da mandíbula são de 2 e 3 vezes maiores que
no resto da boca, e devido à natureza porosa do osso
nesta região, os implantes inseridos possuem pouco
contato com o osso cortical e com um osso de trabeculado mais
denso.
Nossos resultados histológicos
foram coerentes com a hipótese de que fracassos posteriores
em implantes osseointegrados podem ser causados por uma combinação
entre: pobre qualidade óssea, trauma mecânico
ao osso e forças oclusais excessivas.
AGRADECIMENTOS: Este trabalho foi patrocinado parcialmente pela National Research
Council (CNR), Roma, Itália e pelo Ministério da Educação (MIUR),
Roma, Itália
Traduzido por:
Dra. Priscila Coraini - Cirurgiã Dentista
Autores:
Adriano Piattelli, Antonio Scarano, Lorenzo Favero,
Giovanna Iezzi, Giovanna petrone e Gian Antonio Favero.

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