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| Edição Jan/Mar - 2003 |
| Motivação frente ao eficaz controle de higiene bucal: um eterno desafio para o periodontista? | |
| por Dra. Idelana Maria Luz Lopes | |
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| Dra. Idelana Maria Luz Lopes |
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Sabemos que a etiologia das doenças periodontais é complexa, sendo tácito entre os pesquisadores que o colapso periodontal originalmente da quebra da homeostasia entre os possíveis fatores e a capacidade imunológica do paciente em enfrentá-los. Ao consultar-se a vasta literatura na área da Periodontia, pode-se inferir que as doenças periodontais caracterizam-se por quatro atribuições fundamentais, basicamente: multifatoriais, episódicas, polimicrobiológicas e sítio-de-pendentes. Por outro lado, também temos dados suficientes que suportam a importância sumária do controle de placa bacteriana por parte do paciente, tanto na vigência do tratamento periodontal por nós proposto como na sua manutenção, o que, sob nosso ponto de vsita, representa o real sucesso de nossas terapêuticas. Todos estamos cientes de que tal meta só pode ser obtida por meio de mudança de hábito, tarefa árdua e não tão simples de ser alcançada e mantida com êxito. Faz-se necessária uma boa dose de motivação para isso, a qual envolve uma série de questões como empatia, responsabilidade, afeto, sensação de segurança, conhecimento técnico científico, disponibilidade, prazer e envolvimento com causas político-sociais. A motivação é mais importante que a inteligência para atingirem-se objetivos envolvendo mudança de hábito. Os seres humanos podem ser classificados como motivados, com motivação latente e sem motivação, sendo que 60% das pessoas fazem parte do segundo grupo, segundo Walsh e colaboradores (1979). Assim, a função do periodontista é instigar, aumentar, canalizar essa motivação latente pata atingir a mudança de comportamento desejada. Em nossa opinião, interesse e entusiasmo são bons motivadores, mas a própria doença do paciente, explicitada pelo espelho e a dentição evidenciada, são os melhores aliados nessa missão. Devemos considerar que a comunicação não é o que falamos, e sim, o que o receptor entendeu sobre o que tentamos transmitir. Assim, a relação harmoniosa entre o paciente e o seu periodontista é essencial. O paciente deve se sentir respeitado e aceito pela equipe odontológica que o assiste para resultar em uma mudança de comportamento. As técnicas de motivação devem ser individualizadas, cada qual direcionada às necessidades específicas do paciente e o mais importante que pudemos perceber frente à nossa experiência clínica e no magistério, porque não dizer: aquilatar a personalidade do paciente, sua escala de valores e prioridades, a sua inserção social e familiar, suas limitações, os eventos estressantes de sua via e suas reações psicossomáticas, principalmente em relação à doença periodontal. Notamos que as alterações psicossociais podem aumentar a vulnerabilidade às doenças periodontais. Alguns possíveis mecanismos pelos quais tais constatações afetariam as estruturas periodontais seriam a negligência à higiene bucal, alterações na dieta, tabagismo e outros hábitos nicovos, alterações na microcirculação gengival, alterações salivares, hábitos parafuncionais, distúrbios endócrinos e distúrbios imunológicos (MONTEIRO DA SILVA e colab., 1995). Somos profissionais de saúde, acima de tudo. Nosso paciente merece ser tratado como um todo. Precisamos a cada sessão estarmos atentos a mais dados que contribuam ao nosso planejamento terapêutico. Conversemos sempre com eles, sobre os mais variados assuntos. essa atitude além de enriquecedora estreita laços. Nossos pacientes periodontais precisam ser cúmplices, conosco e com a causa. Finalizando: frizemos sempre a dose de responsabilidade que eles têm para com seu tratamento. Dose essa de 50%, para que possam respeitar e entender seu organismo e sua doença, bem a nón como agentes de saúde e não como meros "faxineiros graduados" de sua boca. Idelana Maria Luz Lopes Especialista e mestre em Periodontia; Professora Assistente do Curso de Especialização em Periodontia da SOBRAPE e ABO; Ex-professora adjunta da Disciplina de Periodontia da UNIP; Ex-professora assistente do Curso de Especialização em Periodontia da FUNDECTO-USP |