Novo mandato

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Edição Abr/Jun-2005
Por Dr. Rodrigo B. de Moraes
 

Nesta edição realizamos uma entrevista com o Prof. Dr. Roberto Fraga M. Lotufo, presidente eleito da SOBRAPE para o Biênio 2005/2007. Nesta conversa com o Dr. Rodrigo B. de Moraes, diretor de O Periodonto ele fala de suas metas e como pretende atuar diante da entidade neste novo mandato.

A SOBRAPE do Futuro

O Periodonto: Quais as perspectivas futuras da periodontia e quais os caminhos que a especialidade deve trilhar ao longo dos próximos anos?

Dr. Lotufo: A periodontia é uma especialidade que está buscando cada vez mais, através das evidências científicas, ampliar seu campo de atuação. Estamos diante de novos tópicos a serem estudados e pesquisados como a associação das doenças periodontais às condições sistêmicas, a genética, os fatores de crescimento, a bioengenharia tecidual, as células-tronco, entre outros. Entretanto, deveremos dar atenção especial aos tópicos essenciais da terapêutica periodontal que possam trazer benefícios à população que não tem acesso à prevenção e ao tratamento periodontal.

O Periodonto: Como o Dr. observa a evolução dos cursos de educação continuada e das especializações nas áreas de periodontia e implantodontia?

Dr. Lotufo: Temos que avaliar a proliferação destes cursos com muito cuidado. Infelizmente a SOBRAPE não possui mecanismos que a torne participante da aprovação e da avaliação da qualidade destes cursos.

Pretendemos, desde que seja possível, participar de alguma forma deste processo.

A nossa idéia inicial seria criar um exame da SOBRAPE, de livre inscrição, para que a nossa instituição avalizasse a qualidade do especialista formado nos diversos cursos de especialização.

Seria então nomeada uma comissão avaliadora que se responsabilizaria desta tarefa.

Esta ainda é uma idéia que necessitaria de ampla discussão e divulgação para que pudesse ser colocada em prática.

O Periodonto: O que ainda pode ser aprimorado em termos dos cursos de mestrado e doutorado por todo o país, tanto na periodontia, como em todas as áreas da odontologia?

Dr. Lotufo: Os cursos de mestrado e doutorado devem ser vistos como cursos que têm como objetivo a formação do professor e do pesquisador.

Devido à proliferação dos cursos de graduação, especialização e atualização, o mercado do ensino passou a necessitar de profissionais com o título de Mestre ou de Doutor.

Em função disso, os cursos de mestrado acadêmico e profissionalizante também proliferaram.

Hoje em dia, estes cursos também estão banalizados e, ao meu ver, totalmente distorcidos, em que tudo passou a ser um "grande negócio".

Com raríssimas exceções, a formação do professor e do pesquisador não é levada em consideração por estes "cursos", e sim o régio pagamento das mensalidades.

O aprimoramento maior seria fazer valer o objetivo destes cursos como o descrito acima.

O Periodonto: Qual a diferença da periodontia estudada e praticada no Brasil em relação aos países conceituados como "mais avançados"?

Dr. Lotufo: Acredito que as diferenças maiores estejam relacionadas à tecnologia de ponta disponível nestes países, assim como o maior aporte de recursos destinados ao ensino e pesquisa.

Temos no Brasil vários professores e especialistas da maior competência.

É raro não vermos publicações de autores nacionais nos periódicos internacionais de renome. Tenho absoluta ciência da alta capacidade de nossos clínicos e pesquisadores.

O Periodonto: O que mudou no perfil do periodontista, quando comparado os conhecimentos atuais e as evidências que dispusemos nos anos 80 e 90 ?

Dr. Lotufo: Acho que nos dias de hoje, devido ao acesso mais fácil à informação científica, o periodontista está abandonando a prática do empirismo.

É flagrante a procura do especialista por cursos, congressos, internet, etc., com o objetivo de buscar a evidência científica atual para poder embasar a sua prática clínica.

O Periodonto: Na sua opinião a periodontia precisa se aproximar mais da medicina, ou criou-se uma certa mitificação sobre o tema?

Dr. Lotufo: O grande benefício da Medicina Periodontal ou da Periodontia Médica, no meu entender, foi acrescentar mais informação ao clínico acostumado a tratar doença periodontal fora do contexto da saúde geral do indivíduo.

Acho que a medicina deveria se aproximar da odontologia dentro deste mesmo conceito.

O Periodonto: O Dr. concorda que a SOBRAPE representa, entre outras coisas, um dos melhores caminhos para a integração entre os clínicos e os pesquisadores nas áreas de periodontia e implantes? Aonde mais haveria espaço para uma entidade como a Sobrape?

Dr. Lotufo: A integração entre clínicos e pesquisadores é fundamental e deve ser uma das funções da SOBRAPE. Entretanto, acho que devemos ser mais abrangentes, procurar levar mais informação para os nossos sócios.

Acho que devemos ter como meta motivar o especialista de todo o Brasil a participar da SOBRAPE.

O Periodonto: Sabendo que a SOBRAPE é a casa da periodontia brasileira, o que ainda pode ser feito visando o maior aprimoramento da entidade ?

Dr. Lotufo: Inicialmente vamos nomear uma comissão para atualizar e modernizar nosso estatuto.

Esse fato conforme menção do próprio texto atual deve ser oficializado em Assembléia Extraordinária a ser convocada pela nova diretoria, que vem sendo constituída após o último CONBRAPE, decorrente da nossa eleição para a presidência da entidade.

Outro passo seria tentar profissionalizar a entidade para que ela possa ser forte e participar mais ativamente da vida do sócio.

Dentro deste contexto, a aquisição de uma sede fixa seria um passo enorme para evitar os transtornos que as mudanças de diretoria trazem.

Gostaríamos também de realizar pequenos eventos em regiões distantes de todo o Brasil aonde exista o interesse pela periodontia, nos seus mais variados temas.

Enfim, a SOBRAPE não deve oferecer ao sócio apenas o jornal O Periodonto, a revista Periodontia e o CONBRAPE.

O Periodonto: Qual a mensagem que o Dr. gostaria de transmitir a todos aqueles que prestigiam as iniciativas e os eventos promovidos pela SOBRAPE ?

Dr. Lotufo: Espero poder realizar algo de novo para a SOBRAPE e que as idéias não permaneçam apenas idéias. Boa parte delas serão traçadas de acordo com as metas estabelecidas desde o inicio da gestão passada em conjunto com o meu grande amigo e, agora vice-presidente o Prof Dr. Antônio Wilson Sallum.

Contarei com a ajuda de uma diretoria que reunirá juventude e experiência para trabalhar pela SOBRAPE.

Espero também contar com o auxílio dos representantes estaduais e de todos os sócios através de participação ativa, sugestões e críticas para que possamos cumprir nossas metas de fazer uma SOBRAPE sempre melhor.