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| Redação |
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Durante muitos anos as ações para a promoção da saúde bucal no Brasil estiveram desprovidas de avaliações qualificadas o bastante para justificar a adoção de medidas globais e eficientes na busca da melhora do quadro odontológico do povo brasileiro. A iniciativa de se realizar um grande levantamento da condição de saúde bucal no país, após mais de 15 anos passados (a última tentativa deste porte datava de 1988 e, mesmo assim, de forma bem mais modesta), mostra que a antiga utopia de um pais mais saudável torna-se, por hora, uma grande esperança para as próximas gerações. A SOBRAPE destaca a seguir um resumo dos principais dados avaliados pelo maior levantamento de saúde bucal realizado no Brasil, em todos os tempos. O que o leitor pode supor encontrar neste texto é apenas um reflexo da falta de anos de estrutura e planejamento, que fazem do Brasil um dos países mais injustos socialmente em todo o mundo, aonde os interesses menores superam as necessidades maiores. Isto também se reflete na odontologia e na nossa periodontia, como veremos no transcorrer da matéria. As perguntas que devem funcionar mais como alertas do que propriamente como questões, relacionam-se as propostas formuladas a partir das conclusões do levantamento SB Brasil, ou seja: "O que será da Saúde Bucal nos próximos 15 anos?" ou então, "Daqui a 15 anos teremos motivos para verdadeiramente SORRIR?". A única certeza é que as respostas também dependem da atitude de cada um de nós enquanto profissionais da saúde ... Assim, boa leitura e mãos a obra !!! Levantamento das Condições de Saúde Bucal da População Brasileira (Realizado entre 2002/3 e publicado em 2004 : Fonte – Ministério da Saúde do Brasil) O projeto SB Brasil correspondeu a mais ampla e completa pesquisa sobre o tema realizada em todo o pais ao longo dos anos. A parceria entre o Ministério da Saúde, as Secretarias Estaduais da Saúde, o Conselho Federal de Odontologia e a Associação Brasileira de Odontologia , através de todas as suas sessões; permitiu conhecer o quadro bucal dos brasileiros e brasileiras; seja o de origem rural , como o de urbana. Introdução: Foram incluídos 250 municípios das 5 regiões do Brasil, sendo distribuídos aproximadamente 50 desses por cada região. O exame avaliou 108.921 pessoas sendo:
Os exames foram feitos em escolas, creches e domicílios a partir da atuação de equipes compostas por pelo menos um dentista e um auxiliar anotador, entre maio de 2002 e outubro de 2003. Os dados coletados eram relacionados a cárie dentária, a doença periodontal, perdas dentárias, uso e necessidade de prótese, mal oclusão, auto percepção dos problemas bucais e acesso a serviços de saúde e a água fluoretada, situação sócio econômica. Resumo sobre a discussão e os resultados apurados: Cáries Em relação a fase de dentição decídua, notou-se que 27% das crianças do GI apresentaram pelo menos um dente cariado, sendo estes dados observados em, pelo menos, 60% do GII. Nos dentes permanentes a avaliação de cárie ocorre através do CPO (Cariados, Perdidos ou Obturados) por indivíduo. A média do CPO avaliado mostrou sinais de progresso com a idade, ou seja: medias de 2,8 no GIII, 6,2 no GIV, 20,1 no GV e 27,8 no GIV. Perdas Dentárias Apenas 55% dos indivíduos do GIV (adolescentes até 18 anos), possuem todos os dentes em boca. Dos adultos (G V) 28% ou mais, não possuem nenhum dente funcional em pelo menos uma arcada. Outro dado interessante salienta que mais de 15 % dos adultos necessitam de prótese total em pelo menos uma das arcadas. Entre os idosos (GVI), os dados são ainda mais alarmantes: média aproximada de 26 dentes extraídos por pessoa, sendo que 3 em cada 4 idosos não possui nenhum dente funcional. Doença Periodontal Menos de 22% da população adulta e menos de 8% dos idosos apresentam saúde periodontal. Acesso aos serviços de saúde O estudo mostra que 2,5 milhões de adolescentes (13% da população) nunca foram ao dentista. Entre a população adulta, 3% nunca esteviveram em um consultório dentário, sendo que entre os idosos este número sobe para 6%. A região nordeste apresentou a maior concentração de pessoas sem acesso a odontologia e a região sul foi a mais bem avaliada nesse quesito. Discussão sobre os resultados do SB BRASIL, em comparação com as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A tabela a seguir ilustra, em parte, os resultados obtidos por grupo etário e região em relação as metas estabelecidas pela OMS e a Federação Dentaria Internacional (FDI) para o ano 2000. Tabela- Indicadores obtidos no projeto SB Brasil em 2003 e as metas da OMS/FDI para o ano 2000.
De forma geral, os resultados não foram positivos. O Brasil atingiu algo próximo da meta da OMS para o ano 2000 (apesar do pouco atraso), apenas para a faixa de 12 anos, principalmente devido aos achados das regiões sul e sudeste. Para as demais regiões e faixas etárias os achados estão distantes das metas estipuladas pela OMS para o período em questão. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES: Além dos dados coletados, o projeto SB Brasil possibilitou o treinamento de mais de 1000 profissionais entre examinadores e anotadores, alem de permitir difundir e sedimentar a metodologia da OMS/FDI por todos os centros do pais. Isto poderá auxiliar o futuro dos projetos e das ações a serem conduzidas em todo o pais no tocante a planejamento e avaliação das eventuais medidas a serem implantadas nos respectivos centros do Brasil, com o apoio do SUS e do programa Brasil Sorridente do governo federal. Diante dos achados obtidos, o Ministério da Saúde destinou para promoção da saúde bucal no pais, uma verba de R$ 1,3 bilhões a serem distribuídos nos próximos três anos em campanhas como as do programa acima citado. Entre as ações mais comentadas incluí-se:
Gostaríamos de agradecer a colega Drª Celi Vieira de Brasília (DF) pela enorme contribuição na elaboração dessa matéria. |