Qual a indicação para a utilização de
anti-inflamatórios na terapia Periodontal?

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Edição Jul/Set-2004
Por Prof. Pedro José Duarte e Prof. Fábio Duarte
Prof. Pedro José Duarte
Mestre em Periodontia, respectivamente pela UNICAMP e USP, Professor do curso de formação em Periodontia da APCD distrital - Jundiaí
Prof. Fábio Duarte
Mestre em Periodontia, respectivamente pela UNICAMP e USP, Professor do curso de formação em Periodontia da APCD distrital - Jundiaí
Prof. Claudio Mendes Pannuti
Mestre e Doutor em Periodontia pela FOUSP; Professor Assistente Doutor da Disciplina de Periodontia da UNLb
 

Todo processo de cicatrização é precedido de uma reação inflamatória.

Na doença periodontal inflamatória a destruição dos tecidos de proteção e de suporte do dente ocorre, também, em razão de uma reação inflamatória sendo que o agente etiológico (biofilme dental) promove uma agressão contínua, cuja intensidade pode ser modificada por diversos fatores tanto do indivíduo como do agressor. Alguns exemplos seriam a consideração da velocidade e da intensidade da evolução do dano, fatores imunológicos, além das relações entre o agressor e a resistência do hospedeiro.

A quase totalidade das doenças periodontais que causam destruições irreversíveis, são de origem inflamatória, porém o uso de antiinflamatórios para controlá-las é extremamente restrito.

Estudos clínicos recentes, com dosagens e tipos de antiinflamatórios, vêm se desenvolvendo na tentativa de, através do uso controlado desse medicamento, modular ou interferir no grau de destruição periodontal.

É de hábito (e muito comum na prática da clínica periodontal) fazer uso indiscriminado de antiinflamatório, com o intuito de produzir um efeito analgésico e não antiinflamatório, embora os antiinflamatório acabem por possuir algum tipo de efeito analgésico.

Nos casos em que são indicadas cirurgias periodontais, podemos lançar mão do antiinflamatório, para que a reação inflamatória seja de menor intensidade, melhorando o pós-operatório.

Existem protocolos cirúrgicos aonde pode existir a sua indicação.

Nas urgências que mais ocorrem na clínica periodontal, o uso de antiinflamatório também deve ser específico. Na Gengivoestomatite herpética primária e na Gengivite Necrosante, é dispensável o uso deste tipo de fármaco. Já no caso dos abcessos periodontais agudos e no abcesso pericoronário (Pericoronarite) esta medicação poderá ser utilizada como auxiliar da atitude de interveção voltada para a solução do caso.

 
Por Prof. Claudio Mendes Pannuti
 

Anti-inflamatórios não esteróides (NSAIDs) são freqüentemente utilizados em Periodontia com objetivo de reduzir dor e edema decorrentes de procedimentos não cirúrgicos (raspagem e alisamento dentário) e cirúrgicos. Também podem ser usados quando há manifestação aguda da doença periodontal, como GUNA, abscesso, etc.

Pesquisas recentes têm demonstrado o papel da resposta do hospedeiro na patogênese da doença periodontal. Resumidamente, produtos do biofilme dentário estimulam células do hospedeiro a liberarem ácido aracdônico, que pode ser metabolizado pela via da cicloxigenase (CO) ou pela via da lipoxigenase (LO). Entre os produtos finais da via da CO destaca-se a prostaglandina E2 (PGE2), associada com reabsorção óssea e progressão de doença periodontal. Atualmente reconhece-se a existência de duas isoformas de CO: a cicloxigenase 1 (COX1), relacionada com funções fisiológicas como proteção gástrica, e a cicloxigenase 2 (COX2), induzida por citocinas pró-inflatórias e que tem papel no processo de inflamação.

Anti-inflamatórios não esteróides bloqueiam a enzima CO, reduzindo a síntese de PGE2. Assim, o uso prolongado de NSAIDs (como indometacina, ibuprofeno, flurbiprofen e piroxican) poderia ser capaz de inibir a progressão da doença periodontal. De fato, ensaios clínicos em humanos como o conduzido por Heasman et al. (1993), foram capazes de demonstrar que o uso sistêmico de NSAIDs por até 18 meses promoveu menor taxa de perda óssea. Porém, após o término do uso do medicamento, perda óssea foi observada novamente. Portanto, para manutenção dos níveis de inserção, haveria necessidade de administração prolongada da droga. No entanto, administração prolongada de NSAIDs não seletivos, com atividade inibitória sobre COX1 e COX2, pode promover efeitos adversos como irritação e hemorragia gastro-intestinal e disfunção hepática.

Para resolver esse problema, laboratórios farmacêuticos desenvolveram NSAIDs com inibição seletiva sobre COX2. Estudos médicos de longa duração com pacientes portadores de artrite reumatóide mostraram que essas drogas promovem menos efeitos adversos no trato gastrointestinal do que NSAIDs não seletivos. No entanto, um ensaio clínico recente em pacientes com histórico de adenoma colo-retal mostrou maior risco de eventos cardiovasculares no grupo que recebia VioxxÒ (um NSAIDs com ação seletiva sobre COX2), após 18 meses de uso da medicação.

Embora NSAIDs se mostrem promissores como inibidores da progressão de doença periodontal, até o momento os efeitos adversos decorrentes de seu uso prolongado não justificam seu uso com este fim.