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Anti-inflamatórios
não esteróides (NSAIDs) são freqüentemente
utilizados em Periodontia com objetivo de reduzir dor e edema decorrentes
de procedimentos não cirúrgicos (raspagem e alisamento
dentário) e cirúrgicos. Também podem ser usados
quando há manifestação aguda da doença periodontal,
como GUNA, abscesso, etc.
Pesquisas recentes têm
demonstrado o papel da resposta do hospedeiro na patogênese da
doença periodontal. Resumidamente, produtos do biofilme dentário
estimulam células do hospedeiro a liberarem ácido aracdônico,
que pode ser metabolizado pela via da cicloxigenase (CO) ou pela via
da lipoxigenase (LO). Entre os produtos finais da via da CO destaca-se
a prostaglandina E2 (PGE2), associada com reabsorção óssea
e progressão de doença periodontal. Atualmente reconhece-se
a existência de duas isoformas de CO: a cicloxigenase 1 (COX1),
relacionada com funções fisiológicas como proteção
gástrica, e a cicloxigenase 2 (COX2), induzida por citocinas
pró-inflatórias e que tem papel no processo de inflamação.
Anti-inflamatórios
não esteróides bloqueiam a enzima CO, reduzindo a síntese
de PGE2. Assim, o uso prolongado de NSAIDs (como indometacina, ibuprofeno,
flurbiprofen e piroxican) poderia ser capaz de inibir a progressão
da doença periodontal. De fato, ensaios clínicos em humanos
como o conduzido por Heasman et al. (1993), foram capazes de demonstrar
que o uso sistêmico de NSAIDs por até 18 meses promoveu
menor taxa de perda óssea. Porém, após o término
do uso do medicamento, perda óssea foi observada novamente. Portanto,
para manutenção dos níveis de inserção,
haveria necessidade de administração prolongada da droga.
No entanto, administração prolongada de NSAIDs não
seletivos, com atividade inibitória sobre COX1 e COX2, pode promover
efeitos adversos como irritação e hemorragia gastro-intestinal
e disfunção hepática.
Para resolver esse problema,
laboratórios farmacêuticos desenvolveram NSAIDs com inibição
seletiva sobre COX2. Estudos médicos de longa duração
com pacientes portadores de artrite reumatóide mostraram que
essas drogas promovem menos efeitos adversos no trato gastrointestinal
do que NSAIDs não seletivos. No entanto, um ensaio clínico
recente em pacientes com histórico de adenoma colo-retal mostrou
maior risco de eventos cardiovasculares no grupo que recebia VioxxÒ
(um NSAIDs com ação seletiva sobre COX2), após
18 meses de uso da medicação.
Embora NSAIDs se mostrem
promissores como inibidores da progressão de doença periodontal,
até o momento os efeitos adversos decorrentes de seu uso prolongado
não justificam seu uso com este fim.
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