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Edição Abr/Jun-2004
* Luis Augusto Passeri
 

Luis Augusto Passeri

* Professor Associado responsável pela Área de Cirurgia Buco-Maxilo-facial da faculdade de Odontologia de Piracicaba Unicamp e Pós-doutorado pela Universidade do texas Dallas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A polêmica em pauta : Dentes ou Implantes? Quando optar?

Uma grande mudança está ocorrendo na Odontologia. Com a evolução da Implantodontia nos últimos 30 anos, procedimentos utilizados para a manutenção de dentes, envolvendo Periodontia, Endodontia, Dentística e Prótese, podem, em certas situações, perder importância. Devemos ter claro se a preservação do dente põe em risco outros elementos e tecidos adjacentes, assim como a sua importância na reabilitação.

Um dente, periodontalmente comprometido, pode colocar em risco uma prótese na qual serve de apoio. Tempo, custo e efetividade devem ser considerados. Cada caso deve ser analisado individualmente. Deve ser avaliado o dente, a saúde bucal, a condição sistêmica do paciente e o plano de tratamento proposto.

Dentes apresentando grandes perdas teciduais requerem cirurgia periodontal, inclusive regenerativa em alguns casos. Poderão ser mantidos por longos períodos, mas muitas vezes sem melhora de função. O implante, nestes casos, pode representar recuperação da função em curto espaço de tempo e sucesso no longo prazo.

Mesmo dentes saudáveis podem ter sua extração indicada. Dentro do planejamento de uma prótese extensa, teremos situações que a presença de um ou mais dentes podem comprometer a qualidade e aumentar o custo, inclusive, pela necessidade de um número maior de implantes. Hoje, podemos ver a indicação de exodontias, dentro do planejamento da reabilitação protética, como vemos a extração de pré-molares em um planejamento ortodôntico. A extração de dentes pode, em determinados casos, viabilizar custos, estética, resultados e execução do tratamento. Em cada situação haverá razões e argumentos para manter ou extrair um determinado elemento. Mas, sem dúvida, o implante dental pela sua confiabilidade e capacidade de substituir, estética e funcionalmente, o dente natural, será um fator a ser considerado.


* Mauro Antonio de Arruda Nóbio

Mauro Antonio de arruda Nóbio

* Professor da faculdade de odontologia de Piracicaba (UNICAMP) na àrea de Prótese Parcial Fixa e do Departamento de Prótese e Periodontia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A polêmica em pauta : Dentes ou Implantes? Quando optar?

A Odontologia atual vive fundamentalmente não mais da recuperação de danos aos tecidos, mas sim da preservação e manutenção dessas estruturas.

Porém, num país de dimensões continentais e enormes problemas sociais, culturais e de difícil acesso à saúde e meios de prevenção, infelizmente prevalece o caos em termos de saúde bucal, aprisionando a grande maioria de profissionais numa odontologia paliativa e não reabilitativa de fato.

Em contrapartida, vemos uma Odontologia moderna, com novos materiais, técnicas avançadas e equipamentos sofisticados. Neste contesto, a Implantodontia se destaca como uma especialidade nova e segura, saindo do descrédito a uma rápida evolução a partir dos anos 80.

Assim, a Osseointegração provocou uma abertura clínica muito grande proporcionando um sistema de ancoragem para prótese, o que tem modificado e aumentado o número de opções de planejamento e tratamento reabilitador. Seu sucesso depende obviamente de planejamento cuidadoso, técnica cirúrgica meticulosa e trabalho protético especializado.

As principais indicações clínicas intra-orais dos implantes osseointegrados são: reabilitação de mandíbulas e maxilas totalmente desdentadas, reposição de perdas dentárias parciais e reposição de um único elemento dentário perdido.

Assim, diante das novas perspectivas odontológicas e especificamente com a rápida expansão da implantodontia, surgem novas alternativas reabilitadoras para os pacientes, a ponto de em muitos casos se indicar exodontias e substituição por implantes osseointegrados como melhor planejamento do ponto de vista protético.

No atual estágio que se encontra a implantodontia, não raro é indicação de grande número de exodontias e implantação imediata e até com carregamento oclusal, conhecido como a técnica da Carga Imediata.

Elementos unitários condenados por fraturas estão sendo freqüentemente substituídos por implantes e com a imediata instalação de provisórios com grandes benefícios como a manutenção de papilas, rebordo ósseo, sem contar no valioso aspecto emocional positivo para os pacientes.

Diante das novas alternativas reabilitadoras envolvendo implantes é de fundamental importância a observação dos princípios básicos que norteiam a prótese e periodontia, como a manutenção da estabilidade oclusal e conseqüentemente a função mastigatória e a estética, pois a final de contas é para isso que os pacientes procuram os profissionais.

Neste contesto, o questionamento da presença de dentes naturais ou artificiais implantados passa ser secundário, restando ao cirurgião dentista a decisão final baseada na reabilitação de fato com segurança e previsibilidade.


* Marta Gonzales Riesco

Marta Gonzales Riesco

* Mestra e Doutora em periodontia pela Faculdade de odontologia de bauru (USP), professora titular da disciplina de periodontia da UNIP-SP, coordenadora do curso de especialização em implantodontia da ABENO-SP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A polêmica em pauta : Dentes ou Implantes? Quando optar?

O avanço da implantodontia mudou radicalmente o planejamento do tratamento periodontal, endodôntico e reabilitador.

O índice de sucesso demonstrado pelos implantes osseointegrados, acompanhados por estudos longitudinais, mostrou que quando o planejamento obedece aos critérios de indicação, qualidade óssea favorável e planejamento biomecânico compatível com o preconizado pelos estudos, o sucesso pode ultrapassar 90% em mais de 10 anos.

Ao tentarmos vencer o dilema dentes ou implantes, varios fatores devem ser considerados. O primeiro fator a ser considerado é o prognóstico para o tratamento periodontal ou endodôntico dos elementos envolvidos. O paciente deve compreender as opções e riscos e deve participar do processo de decisão.

Quando o caso envolver tratamento protético reabilitador, tem que ser analisado criteriosamente o fator oclusal, pois os riscos sao consideravelmente aumentados quando os pilares apresentam perda óssea ou perda de estrutura dentária devido à cárie.

Em situações onde haja a necessidade de aumento de coroa clínica, há que se analisar o grau de osteotomia e número de dentes envolvidos nesse procedimento e o comprimento de raiz remanescente. Ao discutirmos a situação das lesões de furca, devemos considerar o prognóstico duvidoso apresentado tanto pelos tratamentos regenerativos quanto ressectivos.

Nos casos avançados de periodontite, nos deparamos com um grande dilema terapêutico, pois é necessário que o remanescente ósseo permita a colocação de implantes e construção de uma reabilitação que atenda aos anseios do paciente.

Confrontando a análise do prognóstico do tratamento convencional, cabe o estudo das chances de sucesso para o tratamento com implantes do referido caso. Para esse estudo necessita-se avaliar a disponibilidade óssea através de radiografia panorâmica e na maioria dos casos de tomografia computadorizada.

Para os casos com envolvimento de estética, avalia-se também a quantidade de mucosa ceratinizada, pois para a recuperação da estética, este fator é primordial.

Nas reabilitações extensas, podemos lançar mão do uso de prototipagens, onde através do exame tomográfico, podem ser obtidos modelos em resina que permitam que os procedimentos cirúrgicos sejam feitos nesses protótipos, e se consiga uma simulação do tratamento.

A avaliação da biomecânica da prótese deve ser criteriosamente analisada. Outro dilema que nos assola, é a exodontia de elementos dentários saudáveis para obtenção de um planejamento biomecânico mais favorável à reabilitação.

Uma situação muito freqüente são os casos de edentulismo parcial da mandíbula, em que os pacientes apresentam perdas dentárias na região posterior e alguns elementos na região anterior.

Em geral a região posterior da mandíbula oferece pouca disponibilidade óssea devido ao canal mandibular, enquanto a região entre os forames mentonianos, apresenta ótima quantidade e qualidade, possibilitando a construção de uma prótese fixa tipo protocolo com a colocação de 4 a 6 implantes e com um prognóstico de sucesso acima de 95% em mais de 10 anos de acompanhamento de pacientes.

Na avaliação de casos de periodontites avançadas, temos que considerar a progressão da doença nos acompanhamentos clínicos do paciente, pois há situações em que o doença mantém-se estável por vários anos, portanto, embora o exame radiográfico possa indicar uma reabilitação com implantes, os dados obtidos durante a terapia periodontal de suporte são importantes no processo de decisão.

Frente a todas essas indagações, a implantodontia soma opções terapêuticas ao tratamento periodontal, aproximando cada vez mais as duas especialidades.