 | Apresentação: | | | Dr. Antonio Carlos Bombana |  | | | | A ocorrência de alterações patológicas que afetam simultaneamente os sistemas pulpar e periodontal em boa parte das vezes configuram situações clínicas de resoluções complexas.
Se durante o diagnóstico e exame clínico forem observadas as seguintes características: alterações pulpares (processo inflamatório reversível, pulpite em fase terminal ou necrose pulpar), comprometimentos periodontais e mobilidade dental exacerbada, teremos grande chances de estar diante de um quadro de envolvimento endodôntico-periodontal.
Essas ocorrências encontram oportunidade em razão da existência de áreas em que as condições anatômicas (forame apical e suas foraminas acessórias, os canais colaterais, os canais secundários cavo-radiculares e a própria estrutura tubular da dentina – permeabilidade dentinária), favorecem a comunicação com a passagem de irritantes do meio interno do dente com seu meio externo e vice-versa.
No que diz respeito às intervenções endodônticas (nos envolvimentos endo-periodontais), durante o esvaziamento do conteúdo do canal radicular e respectivo preparo químico-cirúrgico, deveremos empregar substâncias químicas auxiliares que sejam ativas na desinfecção e no aumento dos padrões de permeabilidade dentinária.
Devemos usar creme de endo-PTC neutralizado por líquido de Dakin e uma completa remoção de toda a porção orgânica do magma dentinário com uma irrigação profusa com líquido de Dakin.
Depois disso, estas manobras mecânicas devem ser repetidas empregando-se uma solução de EDTA-T (EDTA e tergentol) a 15% (para uma ação mais específica sobre a porção inorgânica do magma). Para aumentar ainda mais a permeabilidade dentinária, poderemos utilizar uma solução de ácido cítrico a 25% (pH entre 1,5 a 2,0), somente uma vez, por um a dois minutos, e o uso subseqüente de uma solução neutra (detergente-furacin ou soro fisiológico).
Melhores resultados clínicos têm sido observados quando, em uma sessão, se completa o preparo químico-cirúrgico, irrigando-se e aspirando-se os canais com hipoclorito de sódio a 0,5% e EDTA-T e em outra se procede ao preparo químico da dentina. Entre essas sessões é indicado o uso de CFC (ciprofloxacina 500 mg, 25% metronidazole 400 mg, 25% de hidróxido de cálcio PA, 50%) como medicação intracanal.
No tratamento dos envolvimentos endo-periodontais, a medicação intra-canal (hidróxido de cálcio P.A.) deverá ser substituída várias vezes, enquanto os procedimentos básicos periodontais são realizados.
A partir do momento em que, do ponto de vista periodontal, o tratamento puder ser entendido como concluído, os canais receberão a obturação endodôntica adequada.
Esta proposta de tratamento fundamenta-se na ação antibacteriana das substâncias químicas auxiliares e da medicação intracanal, que quando adotadas de forma conjunta oferecem resultados altamente satisfatórios.
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