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Periodonto: Dr. Luiz Valente, por que o sr. se interessou pela periodontia e a partir desse momento como ocorreu sua evolução profissional? Conclui o curso de odontologia em 1969 pela Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, hoje Faculdade de Odontologia da Universidade de Uberaba, em Minas Gerais. No início do curso, em 1966, tive o primeiro contato com a periodontia por meio do professor Nelson Thomaz Lascala, que esteve em Uberaba ministrando um curso durante a Jornada Científica da Faculdade, o qual me foi permitido assistir apenas como ouvinte, sem direito a perguntas ou qualquer outra manifestação, pois era aluno iniciante. Fiquei encantado com os seus ensinamentos, passei a admirá-lo como pessoa e assim começou o meu amor pela periodontia. A três pessoas maravilhosas devo minha evolução, pois me ensinaram a estudar sempre e ter muito amor pela especialidade. Foram os pilares que me sustentaram e serviram de base para a minha vida profissional: doutores Fávius Márcio Graça Armani, Nelson Thomaz Lascala e Simão Kon.
Professor Fávius Márcio Graça Armani, professor Favito para os amigos, foi quem me iniciou na periodontia, traçando o meu caminho por meio da orientação para cursos adequados e, sobretudo, abriu-me as portas do seu consultório, onde permaneci por cinco anos, Tornou-se um grande amigo e companheiro em muitas atividades que realizamos juntos. Nesta oportunidade, quero agradecer sua dedicação e confiança depositadas na minha pessoa. Em entrevista a este jornal, o professor Favius definiu, com grande sabedoria, a periodontia como a eterna busca, pois a conquista de novos horizontes coloca-a, nos dias atuais, em sua melhor fase como especialidade.
Por meio do professor Fávius, iniciei um contato maior com o professor Nelson Lascala e, em 1970, tive a oportunidade de acompanhar algumas aulas e apresentação de monografias de alunos do curso de pós-graduação em periodontia da Universidade de São Paulo (USP), dirigido pelo professor Nelson.
Em 1971, consegui, por meio do professor Nelson, um estágio na disciplina de periodontia da USP, que na época localizava-se na Rua Três Rios, havendo grande colaboração dos professores José Cássio Marques Carvalho, Sérgio Mauro Giorgi, Francisco Emílio Pustiglioni e José H. Todescan. Simultaneamente, ainda por intermédio dele, fiz vários estágios: cirurgia buco-maxila facial, com o professor Gino Emílio Lasco, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; patologia, com o professor Ney Soares de Araújo; prótese fixa, cujo titular era o professor Palmiro Fava, sob a orientação do professor Silas da Cunha Ribeiro. Histologia, com o professor Flávio Fava de Moraes.
Terminado o estágio no final de 1971, o professor Lascala assumiu a disciplina de periodontia, na recém-criada Faculdade de Odontologia de Mogi das Cruzes, e fui convidado por ele para participar como assistente voluntário e, no ano seguinte, 1972, contratado como professor assistente nessa disciplina. O professor Lascala permaneceu à frente da disciplina até 1975. Para mim, é um grande exemplo como profissional, mestre, amigo, companheiro de tantas jornadas e marcou-me profundamente. Seu pioneirismo na difusão da periodontia por todo o Brasil merece nosso aplauso e nossos agradecimento: às sementes por ele plantadas que há muito tempo dão frutos. Em 1976, assumiu a disciplina de periodontia nessa Faculdade o professor Alfeu Eloy Bary, presente até o momento. Em maio de 1992, passei a exercer o cargo de professor adjunto por indicação do professor Alfeu. Pela convivência de tantos anos, tornou-se um grande amigo e eu o admiro pela sua incansável luta pelo desenvolvimento da periodontia. Desliguei-me da Universidade Mogi das Cruzes (UMC) em dezembro de 2000 com a chegada da aposentadoria por tempo de serviço e tenho a certeza de ter deixado, juntamente com meus companheiros da jornada de ensino, algumas sementes que já estão frutificando e outras que com o tempo irão frutificar. Em 1972, passei a fazer parte da equipe que ministrava cursos de periodontia clínica e prótese pela Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD – Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas, composta pelos professores Osvaldo Bergamaschi, Fávius Armani e José Massaru Hirata (falecido). Ministramos cursos por um período de cinco anos, pecorrendo várias cidades do interior de São Paulo e outros Estados. Foi em março de 1978 que obtive o certificado de especialista em periodontia pelo Conselho Federal de Odontologia.
A terceira pessoa foi o professor Simão Kon, que infelizmente nos deixou em 1996 e por quem tenho eterno agradecimento e admiração. Eu o conheci em 1970, no IV Congresso Paulista de Odontologia durante a apresentação de seus trabalhos de pesquisa realizados em Boston, Estados Unidos, nos anos de 1968/69. A partir deste momento, passei a assistir a seus cursos e palestras. Em 1977, o professor Simão me convidou para trabalhar em seu consultório como seu assistente, a princípio dois dias da semana, mas no fim do mesmo ano fiquei definitivamente com ele. Meu desenvolvimento técnico e científico foi rápido e agradeço a Deus essa oportunidade que transformou a minha vida. Em pouco tempo, me adaptei, pois sua organização e maneira de trabalhar eram excepcionais e eu as conservo até hoje. O professor Simão ensinou-me a desenvolver a sensibilidade durante os procedimentos básicos, respeitar os tecidos moles e saber esperar as respostas do organismo humano.
Em 1981, o professor Simão foi convidado para o cargo de professor visitante na Universidade de Michigan, Estados Unidos, onde ficou por dois anos, período em que assumi sua clínica particular. Retornou em maio de 1983 e em agosto do mesmo ano eu fui para Michigan, onde fiquei até dezembro como ouvinte no curso de mestrado. Foi uma experiência excelente que muito enriqueceu meus conhecimentos. Retornei a Michigan em maio de 1984, por uma semana, para assistir ao curso dos mestres com os professores doutores H. Godman, S. Schluger, H. Zander, J. Prichard, S. ramfjord e H. Loe. Por orientação do professor Simão, estive duas vezes, por um período de 15 dias, na Faculdade de Odontologia da Universidade de Boston, e por uma semana na Universidade de Houston. Em junho de 1983, juntamente com os professores Simão Kon, Valdir G. Garcia, Francisco Emílio Pustiglioni, publicamos um trabalho na revista Quintessence Internacional, com o título de Acute Periodontal Lesions-Simplified Treatemet.
Em 1984, o professor Simão e eu conquistamos o primeiro lugar na apresentação de trabalho de pesquisa no Fórum Clínico, durante o XI Congresso Paulista de Odontologia, sob o título Potencialidade de Reparação dos Tecidos Periodontais – Resultados após dez anos – I parte não-cirúrgica, janeiro de 1984.
Em 1985, o professor Simão retornou aos Estados Unidos, na Universidade de Boston, onde ficou até 1989 e mais uma vez assumi sua clínica particular. A convivência por 13 anos com o professor Simão muito contribuiu na conquista do meu espaço como periodontista em São Paulo e o reconhecimento do meu trabalho em outros Estados brasileiros. Em 1990, continuei o trabalho como periodontista, exclusivamente, em meu próprio consultório, onde estou até hoje.
Esta especialidade que me seduziu nos idos de 1966 exigiu, ao longo dos anos, muita dedicação e aprimoramento, mas muito ainda há por fazer, pois o avanço da ciência é infinito. Hoje, se reconhece que há correlação da doença periodontal com doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, osteoporose, estresse, fumo e transplantes. Como tenho quatro pacientes transplantados, submetidos ao tratamento de imunosupressores (ciclosporina) que evitam a rejeição do órgão transplantado, há necessidade de cuidados especiais no tratamento da doença periodontal. Por isso, estou elaborando um protocolo para tratamento periodontal desses pacientes especiais.
De 1993 a 1997, fiz o Curso Superior de Teologia, na Faculdade de Teologia N. Sra. Assunção, dando-me mais subsídios para que eu visse meus pacientes como seres humanos na sua totalidade e tivesse por eles o mais profundo respeito.
No segundo semestre de 2001, participei do Curso de Cirurgia Plástica Periodontal e Introdução à Micro-Cirurgia Periodontal, com o professor Glécio Vaz dos Campos e equipe. É um novo caminho que se apresenta na periodontia, muito promissor e com resultados excelentes. Espero que este jornal possa trazer mais informações sobre este novo caminho e convido a todos para conhecê-lo.
Este foi o caminho percorrido para que eu pudesse exercer dignamente a minha profissão na especialidade que escolhi e desejo aos jovens que estejam abraçando, em especial, a periodontia, que o façam com espírito de luta, vontade de vencer, estudar e, sobretudo, muito amor ao trabalho e aos pacientes.
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