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Edição Out/Nov/Dez-2001
Inter-relação odontologia e medicina (doenças infecciosas e parasitárias por Walter Tom *
Dr. Marcos Boulos
.. Ao atender um paciente portador de alguma doença infecciosa e parasitária, o cirurgião dentista precisa usar alguma roupa especial? Quais são as doenças que os CD´s devem estar atentos quanto ao HIV? Existe alguma precaução especial para atendimento a esses pacientes? Em relação ao HIV, se houver suspeita do profissional em após um ferimento acidental ter se contaminado, existe alguma medida profilática que possa ser tomada pelo CD? As respostas a estas e outras dúvidas podem ser encontradas na matéria de capa desta edição. Periodonto foi ouvir a opinião de especialistas médicos e dentistas e todos concordam em um ponto: o cirurgião-dentista sempre deve se preocupar em relação à biossegurança, independente de o paciente ser ou não portador de alguma doença infecciosa e/ou parasitária. Para alguns especialistas, este aviso pode parecer um pouco redundante, mas nunca é demais lembrar... Boa leitura!
Existe possibilidade de contaminação do paciente para o profissional por alguma doença em caso de uma picada ou ferimento acidental no consultório odontológico?
Acidente profissional do cirurgião dentista acontece e provavelmente é comum. Sabe-se que médicos tem 0,04% de chance de terem acidentes profissionais nos Estados Unidos. Em nosso meio e sabendo que cirurgiões dentistas podem ter maior chance que os médicos (em geral), pois a grande maioria realiza cirurgia, o número deve ser maior. As infecções mais freqüentes e que merecem cuidado são as causadas pelo vírus da hepatite B (VHB), pelo HIV, sífilis e pelo citomegalovirus (CMV).
Em relação ao HIV, se houver suspeita do profissional em após um ferimento acidental ter se contaminado, existe alguma medida profilática que possa ser tomada pelo CD?
Sim. Apesar da infecção pelo HIV não ser de alto contágio pela picada por agulha (sem inoculação de sangue), o profissional deve receber terapêutica antiretroviral. O ideal é procurar médico para orientar o uso do medicamento e prescrevê-lo.
Para atendimento de pacientes HIV positivo ou aidético, o cirurgião dentista necessita medicar o paciente antes ou depois dos atendimentos para tratamento periodontal ou clínico?
Não. Supondo-se que o paciente está sob orientação médica, ele já deve estar sendo medicado. O mais importante é saber que a proteção com uso de luvas é a prática preventiva mais importante.
Quanto à hepatite, qual é a de maior risco de contaminação no consultório odontológico? E qual deve ser a conduta profilática?
A hepatite B é a de maior contágio e é, inclusive, a infecção de maior risco para o cirurgião dentista. Existe vacina para a hepatite B (três doses) que protege contra ela. Para a hepatite C, que eventualmente pode ser transmitida por acidente pérfuro-contuso, a proteção é a mesma que para o HIV (luvas) etc.
É importante destacar que um atendimento cuidadoso com todas medidas preventivas no procedimento é o mais importante. Não podemos ficar temendo, pois os pacientes infectados não têm sintomas e, freqüentemente, nem sabem de sua situação. É necessário sempre ser cuidadoso.
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