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Instado
a escrever sobre minha vida profissional e a influência da periodontia
nos tantos anos de vivência, passei a pensar bastante sobre o que poderia
fazer e de que forma para melhor cumprir a tarefa e satisfazer o convite formulado.
Coloquei a mente em cheque, rebuscando na memória um passado que, a bem
da verdade, já vai um pouco longe. Mas, bem ou mal, farei chegar ao Dr.
Walter Tom, diretor do Periodonto, o que puder tirar do baú das
recordações. Muito
jovem, com 21 anos, concluí o curso de odontologia pela Faculdade de
Odontologia da Universidade da Bahia, em 1953. Desde os tempos de acadêmico,
prestava colaboração em aulas práticas na cadeira de clínica
odontológica, a convite do titular, missão que exerci até
meados de 1954, quando interrompi para tentar a vida profissional em São
Paulo, o que aconteceu no dia 15 de agosto daquele ano. Chegando
à Paulicéia, trabalhei em consultório na Vila Bertioga,
Casa Verde e rua Marconi. Por indicação de José de Almeida
Carvalho me associei à A.P.C.D. – Associação Paulista de
Cirurgiões Dentistas, passando a freqüentar a sede provisória
na Av. São João e assistir às palestras que ali eram realizadas
às quintas-feiras, às 21 horas. Tive
oportunidade de aprender com os que já sabiam e fazer tantos e bons amigos,
muitos dos quais mantidos até hoje. Recordo de presidentes, alguns deles
cujos nomes memorizei, como: Alberto Farias Cardoso, Plínio de Azevedo
Marques, Reinaldo Todescan, Antônio Saraiva Filho, Gastão Cavalcante,
Arão Rumel, Alfredo Reis Viegas, Álvaro Badra, Edmundo Negn, inclusive
os incansáveis Marcelo Augusto Galante e Luiz Moreira de Silva, como
membros da diretoria. Em
1957, participei como sócio da A.P.C.D. do primeiro Congresso Paulista
de Odontologia, não me recordando se realizado no Teatro Cultura Artística
ou se na Fundação Álvares Penteado. Nisso, a memória
não está me ajudando. Continuei
trabalhando e fazendo cursos na A. P.C.D. Em 1961, fiz estágio em periodontia
na cadeira de Clínica, cujo titular era o professor Paulino Guimarães.
Contei no referido estágio com os professores Policiano Leite Neto e
Nelson Thomaz Lascala, este recém-chegado dos Estados Unidos, após
curso na Tufts University com o professor Irving Glickman. Meu contato maior
foi com o professor Lascala, na ocasião grande entusiasta da gengivectomia.
Da periodontia guardava apenas algumas poucas informações dadas,
quando acadêmico, pelo professor Orandino Prado Filho em visita à
Bahia. Maior conteúdo foi visto no estágio na Três Rios,
em palestras na A.P.C.D., em livros ao longo dos anos, revistas e nos congressos
em que participei. Na
ocasião, a periodontia não mostrava – pelo menos para mim – grandes
avanços. Esse aspecto sofreu modificações com o curso do
professor Henry Maurice Goldman, durante todo o mês de julho de 1965,
em São Paulo, realizado na Faculdade da Três Rios. Trouxe o professor
Goldman algumas novidades, principalmente na área cirúrgica, abordando
com clareza técnicas de retalho, particularmente o "bisel invertido".
Também despertou alguma curiosidade a contenção ou esplintagem
com Nuva Fill. Acredito
que a partir desse curso, professores como Policiano, Lascala, Cássio,
José Todescan, Belém Novais, Waldir Janson, Alfeu Eloy Bary e
outros de São Paulo, além de Rugerpe Pedreira, Jair Cunha e Neide
Tinoco, do Rio de Janeiro, passaram todos a divulgar informações
e conceitos novos para alunos de graduação e profissionais. Assim
também procedi, já que, desde 1964, estava em Maceió, respondendo
pela disciplina de periodontia. Aos
poucos, e cada vez mais, a periodontia foi crescendo e ocupando espaço
como ciência integrada às demais disciplinas, induzindo ao entendimento
de que a prevenção ainda é o melhor caminho para evitar
a placa, cálculo e demais alterações decorrentes da presença
desses dois fatores iniciais da doença periodontal. Fatores sistêmicos,
traumatismo, mobilidade e outros assuntos têm participação
efetiva nas alterações periodontais. Continuam sendo pesquisados.
Ainda
no ano de 1962 e 1963 fiz estágio na disciplina de prótese com
o professor Palmiro Fava, ocasião em que participavam os professores
Silas da Cunha Ribeiro Orfeu de Sousa Ávila, Tadachi Tamaki , Artêmio
Zanetti, Reinaldo Todescan, Canami, Américo Nepumoceno Vieira e Camilo
Morais. Nessa ocasião, eram alunos do curso de odontologia os jovens
Flávio Fava de Morais, Tetsuo Saito, Domingos Bassanta, Miaki Issao,
Moacyr da Silva e Antônio Guedes Pinto, que viriam no futuro a integrar
o corpo docente da Faculdade de Odontologia de São Paulo. Em
1964, tendo recebido convite para participar do Corpo Docente de Faculdade de
Odontologia de Alagoas, voltei para Maceió, aqui fixando residência
com minha família. Comecei na disciplina de clínica II e depois
passei a reger a disciplina de periodontia até a chegada da aposentadoria
por tempo de serviço em 1992. Sócio da
Sobrape, número 073, participei de cursos e congressos ligados à
especialidade em Fortaleza, Rio Grande do Norte, Recife, Maceió (como
presidente), Salvador (duas vezes), Vitória (duas vezes), Brasília,
Goiânia, São Paulo, Florianópolis e Cuiabá. Em todas
essas oportunidades, pude rever e fazer novos amigos nos mais variados recantos
do País. Minha
ligação com a Soprape vem de longa data. Acompanhei a família
Sobrapeana desde que ela era pequena, reduzida a alguns sócios. Pude
sentir seu crescimento até os dias atuais, quando podemos dizer que se
impôs ao respeito e reconhecimento de todos quantos dela participam. Tive
perfeita integração com os presidentes Moisés Moreinos,
Juarez Correia da Silveira, Yeddy Pereira, João Nunes Pinheiro, Rodrigo
Veras de Almeida, Javan Seixas de Paiva, Paulo Roberto Pereira de Sá
e Nelson Thomaz Lascala, a maioria ainda vivos, ativos e mais que isso: velhos
amigos. Dei sempre minha modesta colaboração em todas as oportunidades
em que pude estar presente. Vivo
a emoção de ainda estar participando do trabalho diário
no consultório, na luta com a placa bacteriana e acompanhando a constante
evolução da periodontia no conceito das suas especialidades co-irmãs. Eis
aqui, de forma sucinta, uma recordação do passado reverenciada
com estima por um velho guerreiro nordestino cirurgião-dentista, que
talvez por essa razão tenha merecido a indicação para a
Medalha Luiz César Panaim; para Felow, do Internacional College of Dentistry;
para presidente do 10º Congresso da Sobrape (em Maceió); para recebimento
de diploma e placa comemorativa dos 25 anos da Sobrape, medalha e diploma dos
30 anos da Sobrape; conselheiro efetivo e sócio remido da Sobrape e da
APCD; especialista pelo CFO e ex. professor de periodontia de Universidade Federal
de Alagoas. Apesar de tudo
que se fez e está sendo feito na periodontia, cada vez mais estou convencido
de que o profissional da odontologia deve ser, em primeiro lugar, um CLÍNICO,
para depois optar pela especialidade e acreditar que a mais sofisticada técnica
não obterá êxito se não houver o critério
preventivo de dentes limpos e sem PLACA.
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