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Este artigo
foi preparado pelo Comitê de Pesquisa, Ciência e Terapia da Academia
Americana de Periodontia para a informação da classe odontológica.
Entretanto, ele pode também ser de interesse legal. Ele representa a
posição da Academia no que diz respeito aos bancos de tecidos
e ao uso de enxertos ossos alógenos na terapia periodontal. Fonte: J.Periodontology
2001;72:834-838.
O objetivo
desta revisão de artigo é avaliar os conhecimentos atuais a respeito
dos materiais utilizados por diferentes bancos de ossos para o clínico.
Enxerto ósseo alógeno tem sido usado na terapia periodontal nas
últimas três décadas. 1 Ele é geralmente usado em
uma destas duas formas: enxerto alógeno de osso liofilizado (FDBA) e
enxerto alógeno de osso liofilizado desmineralizado (DFDBA). Ambos (FDBA2-5
e DFDBA 6-2) têm sido usados com sucesso para regenerar o aparato de inserção
durante o tratamento periodontal, quando comparado ao tratamento sem a utilização
de enxerto. Os
dois tipos de material de enxerto trabalham através de diferentes mecanismos
de ação. O FDBA promove uma trama osteocondutiva e permite reabsorção
quando implantado em tecidos mesenquimais13. O DFDBA também promove uma
superfície osteocondutiva. Além disso, também promove uma
fonte de fatores osteoindutivos.14. Portanto, ele propicia migração
de células mesenquimais, fixação e osteogênese quando
implantado em osso bem vascuralizado e também induz formação
óssea endocondral quando implantado em tecidos que de outra maneira não
formariam osso. A
decisão sobre qual tipo de enxerto ósseo alógeno a ser
usado deve ser baseada nas condições clínicas do local
a ser enxertado. Por ser ainda mineralizado, o FDBA deveria ter melhores características
físicas. Entretanto, o FDBA não é osteoindutivo. Embora
não existam significantes diferenças clínicas entre FDBA
e o DFDBA em defeitos intraósseos primários4,5,12, em locais onde
a regeneração é mais problemática, o DFDBA parece
ser uma escolha mais apropriada. Alguns
estudos sugerem que a regeneração tecidual guiada (GTR), combinada
com o uso de DFDBA, é mais previsível do que o uso somente de
membranas no tratamento periodontal de bolsas infra-ósseas e envolvimentos
de furca. 8,9,15-18. Os resultados clínicos do uso de DFDBA, entretanto,
têm sido variados. Alguns pesquisadores têm relatado sucesso, enquanto
outros têm falhado ao demonstrar melhoras clínicas atribuídas
ao uso de DFDBA19,20. Esta variabilidade também tem sido observada quando
DFDBA foi usado em combinação com GTR 21-23. A meta-análise
do tratamento de defeitos infraósseos com DFDBA tem questionado o benefício
do uso de DFDBA nestes tratamentos 24. Outros estudos também relatam variabilidade
na capacidade do DFDBA em induzir nova formação óssea em
animais 25-26. Inúmeras
explicações poderiam ser levadas em conta para a enorme diversidade
nos resultados clínicos relacionados ao uso do DFDBA. Uma das causas
seria que as proteínas osteoindutivas não estariam presentes em
quantidade suficiente para produzir uma formação óssea
detectável. Outra possibilidade seria que os componentes osteoindutivos
do DBDBA poderiam estar presentes, mas em uma forma inativ 27-28. Existe ainda
a possibilidade de que a variabilidade natural em doadores humanos seja refletida
na capacidade osteoindutiva das preparações e que alguns lotes
de DFDBA sejam simplesmente mais ativos do que outros, mesmo quando procedimentos
similares tenham sido usados no seu preparo. A questão é ainda
mais complexa pelo fato dos bancos de ossos não utilizarem métodos
idênticos no preparo de DFDBA. A
maioria dos bancos de ossos segue as orientações da American
Association of Tissue Banks (AATB) no que diz respeito à obtenção,
processamento e esterilização dos enxertos ósseos. As orientações
da AATB se aplicam ao controle de qualidade e conformidade às normas,
garantindo a segurança. The U.S. Food and Drug Administration
(FDA) tem normas para a fabricação de implantes derivados de biomateriais,
indicando limites máximos de resíduos e contaminantes introduzidos
durante o processamento, incluindo a esterilização com óxido
de etileno (ETO), bem como a biocapacidade aceitável para um material
de implante. Pelo menos no que se refere ao ETO, estas normas podem e devem
ser aplicadas aos enxertos manufaturados pelos bancos de ossos. A
AATB contra-indica a coleta de ossos nas seguintes circunstâncias:
1.
doadores pertencentes a grupos de alto risco, determinado por testes médicos
e/ou grupos de risco comportamentais; 2.
doadores HIV positivos detectados pelo método ELISA; 3.
doadores cuja autópsia revele doenças ocultas; 4.
doadores soro-positivos para contaminação bacteriana; 5.
doadores soro-positivos para antígeno de superfície de hepatite
B (HbsAG) ou a vírus de hepatite C (HCV); 6.
doadores soro-positivos para sífilis. Não
existem relatos de contaminação viral ou patologia adquirida pelo
uso de DFDBA, muito embora este material seja enormemente usado clinicamente.
Isto pode ser uma conseqüência do processamento envolvido 30. Sendo
assim, DFDBA parece ser um material seguro no que se refere à
transmissão de doenças baseando-se nos conhecimentos atuais. Deve
ser enfatizado que, ainda que muitos bancos de ossos não esterilizem
seus enxertos ósseos, eles coletam e processam o osso sob condições
estéreis e nenhum relato de DFDBA contaminado tem sido observado. Entretanto,
os bancos de tecidos que esterilizam suas amostras por radiação
ou por ETO podem não relatar este fato no seu invólucro ou rótulo.
Alguns estudos pesquisaram o efeito do ETO na habilidade osteoindutiva do DFDBA31-33
e demonstraram que ela pode diminuir a efetividade e a reabsorção
do material enxertado. Isto pode ser explicado devido à remoção
inadequada dos resíduos formados durante o processo de esterilização33
ou à exposição do enxerto ósseo a temperaturas que
causem desnaturação protéica. Sendo assim, o processo de
esterilização poderia ser um fator importante na variabilidade
das propriedades osteoindutivas do DFDBA. O
efeito da radiação é mais controverso. Alguns trabalhos
têm demonstrado a capacidade do osso irradiado em suportar a cicatrização
normal dos defeitos ósseos33. Entretanto, a irradiação
do DFDBA reduz a capacidade osteoindutiva em 40%34. Em um estudo que examinou
o uso de irradiação para esterilizar enxertos ósseos contaminados
pelo HIV, foi demonstrado que a dose usada excedeu as normas para esterilização
de produtos médicos. Os autores concluíram que a irradiação
gama não deve ser usada para este propósito35. Estudos
recentes têm examinado a habilidade do DFDA disponível comercialmente
em induzir nova formação óssea in vivo com o objetivo
de verificar se a variabilidade nas respostas clínicas foi devido à
diferença no preparo ou a variações na resposta do hospedeiro.
Foi concluído que existe uma enorme variação na preparação
do DFDBA pelos bancos de ossos, incluindo a capacidade de indução
a uma nova formação óssea até mesmo dentro de lotes
do mesmo banco36-37. Estes resultados poderiam explicar a variabilidade da resposta
clínica usando DFDBA na terapia periodontal. Uma vez que os métodos
usados pelos bancos de tecidos para o processamento de osso dos doadores serem
de sua propriedade exclusiva, estes estudos não avaliaram quais seriam
os melhores procedimentos para preservar a habilidade osteoindutora e, ao mesmo
tempo, manter a esterilidade do DFDBA. Diferenças
nos métodos de processamento não explicam por si só a variabilidade
na capacidade osteoindutiva entre os lotes de DFDBA do mesmo banco ósseo. Um
estudo recente examinou o efeito da idade e sexo do doador na variabilidade
osteoindutiva e demonstrou que a idade, mas não o sexo, pode desempenhar
um papel importante nesta capacidade37,38. Devido à publicação
destes estudos, alguns bancos ósseos limitaram a idade do doador para
a coleta de osso. Hoje,
o uso de DFDBA de um banco de ossos aprovado pela AATB é, geralmente,
seguro e pode ser considerado como um substituto ósseo durante procedimentos
regenerativos. O fato de que a habilidade osteoindutiva do DFDBA pode não
ter sido examinada, alguns dos enxertos ósseos alógenos são
considerados efetivos somente como um mantenedor de espaço ou um preenchedor
de defeito ósseo. Todavia, mesmo que preparações de DFDBA
possam não ser osteoindutivas, elas têm o potencial de serem carreadoras
de componentes bioativos de conhecida atividade, tais como proteínas
morfogenéticas (BMP). Um estudo examinando esta opção de
uso do DFDBA como carreador para BMP indicou sucesso em modelos animais39. Pesquisas
realizadas in vitro para promover osteoindução devem ser
processadas com cautela. Até o momento, os trabalhos mais conclusivos
com uso de DFDBA são alguns trabalhos onde foi colocado DFDBA em alguns
tecidos que de outra maneira não formariam osso, como por exemplo em
ratos imunodeficientes ou tecido muscular de rato. Uma análise histológica
quantitativa de novo osso formado em associação com DFDBA deve
ser realizada. Entretanto, é essencial que sejam fornecidas evidências
de que a pesquisa tenha sido validada com o uso de DFDBA de reconhecida habilidade
osteoindutiva. In vitro as pesquisas devem ser validadas com determinações
in vivo de osteocondução e exame de marcadores relevantes
de osteogênese. Quando
o DFDBA é usado na forma particulada, o tamanho das partículas
parece ser uma variável importante no sucesso do DFDBA como um material
osteoindutivo. Partículas na faixa de 125 a 1000 micra possuem um potencial
osteogênico maior do que as partículas abaixo de 125 micra40. Um
tamanho de partícula favorável parece ser entre 100 e 300 micra40.
Isto pode ser devido à combinação da área de superfície
e a densidade de condensação. Partículas muito pequenas
de DFDBA permite a ação dos macrófagos que são rapidamente
reabsorvidas com pouca ou nenhuma formação óssea. Bancos
de tecidos que fornecem DFDBA para o uso odontológico geralmente terão
este material de enxerto em variados tamanhos de partículas. E a faixa
que vai de 250 a 750 micra é freqüentemente a mais disponível32.
FDBA
é também um material clinicamente proveitoso. Não existem
relatos de contaminação viral ou patologia adquirida relacionadas
ao uso de FDBA, embora este material seja muito usado clinicamente. Ele pode
ser combinado com terapia antimicrobiana e tem sido usado com tetraciclina para
regenerar defeitos experimentais com macacos babuínos41 durante o tratamento
de periodontite juvenil localizada42-43, assim como em tratamento de lesões
periapicais. FDBA não parece ser antigênico45. Esterilização
com ETO é problemática em alguns lotes, que tenham demonstrado
resíduos, os quais foram tóxicos para fibroblastos gengivais humanos46.
Embora quatro casos de HIV tenham sido relatados após procedimentos com
enxertos alógenos congelados47-48, deve ser enfatizado que enxertos ósseos
alógenos frescos e congelados não são usados tipicamente
em terapia periodontal. O tempo de espera requerido para o processamento do
DFDBA e do FDBA assegura que existe o período necessário para
se testar qualquer potencial patogênico, garantindo a segurança
destes materiais de enxerto. Com
o crescimento do uso de procedimentos mais complexos como levantamento de seio
maxilar, colocação de implantes e técnicas para aumento
de rebordo, DFDBA tem sido atualmente fornecido em lâminas de várias
espessuras, variando de 20 a 100 micra até 100 a 300 micra (membranas
ósseas) e como blocos de osso ilíaco. Os resultados do uso desses
materiais na clínica têm sido primariamente publicados como estudo
de casos49. Pele congelada e seca, fascia e cartilagem também estão
disponíveis em bancos de tecidos. FDBA e DFDBA continuam a ser importantes
substitutos ósseos para o uso em uma variedade de procedimentos periodontais
regenerativos ao redor de dentes, bem como em regeneração óssea
para implantodontia. FDBA
e DFDBA têm sido amplamente usados na terapia periodontal no passado e
continua sendo utilizada na prática clínica contemporânea.
Eles têm demonstrado serem seguros e capazes de suportar uma nova formação
óssea. E no caso do DFDBA, a capacidade de induzir nova formação
óssea e regeneração periodontal. Numerosos trabalhos indicam
que existe uma enorme variabilidade nas preparações comerciais
do DFDBA para induzir nova formação óssea. Recentemente,
têm sido demonstrado que esta variabilidade é relacionada à
idade do doador, bem como ao conteúdo de fatores osteoindutivos no osso
do doador. Os resíduos, devido a uma inadequada evacuação
após a esterilização com ETO ou radiação,
podem também contribuir para a variabilidade na resposta. É provado
que resultados mais consistentes e confiáveis poderiam ser alcançados
com uso do DFDBA, se os bancos de ossos avaliassem o potencial de suas preparações
e relatassem esta informação ao clínico.
NOTA: Este artigo
foi revisado pelos Drs. Zvi Schwarts e Bárbara D. Boyan. O Dr. James
T. Mellonig foi o autor do artigo original em 1991 e uma revisão foi
feita em 1994. Os membros do Comitê de Pesquisa, Ciência e Terapia
de 2000-2001 são: Drs. David Cochran, coordenador; Timothy Bliede; Otis
Bouwsma; Robert E. Cohen; Petros Damoulis; Connie Drisko; Joseph Fiorellini;
Gary Greenstein; Vincent J. Iacono; Terry Rees; Martha Somerman; Robert J. Genco,
Consultor; Ângelo Mariotti,Consultor; e Brian Mealey(Board Liaison).
Observação: *Artigo
traduzido pela Dra. Sandra de Carvalho Fabiano Alves, especialista em periodontia,
pós-graduada em microbiologia e membro da academia americana de periodontia.
Exerce clínica particular no Rio de Janeiro nas áreas de periodontia
e implantodontia e é professora convidada do curso de atualização
em oclusão e dor orofacial da Faculdade de Odontologia da UERJ.
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