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Dr. Zeudo Vidal é professor adjunto de periodontia na Universidade Federal de Pernambuco, recebeu o prêmio Luiz Cezar Panaim em 1976 e é assessor da presidência dessa entidade. Atualmente, ministra os cursos de especialização na Academia Cearense de Odontologia, de atualização em periodontia em Maceió, de especialização em implanto-dontia na Faculdade de Odontologia de Caruaru e de atualização em cirurgia periodontal avançada no Sesc-Crato, no Ceará. Em 1994, recebeu a comenda de Tiradentes, prêmio concedido pelo Sindicato de Odontologia do Brasil. Já ministrou mais de 150 cursos pelo Brasil. É presidente da Academia Pernambucana de Odontologia e foi presidente da Sobrape – Secção Nordeste entre 1968 e 1972. Com 66 anos, sendo 45 deles dedicados à periodontia, está casado há 37 anos, tem três filhos – todos seguiram carreira na área de odontologia – e cinco netos. Nesta entrevista ao jornal Periodonto, doutor Zeudo comenta sobre sua experiência, como é trabalhar na região Nordeste do Brasil – uma região com grande número de doenças periodontais – e sobre a evolução da especialidade, entre outros assuntos. Periodonto - Dr. Zeudo, como é trabalhar com periodontia no Nordeste, uma especialidade com grande número de casos no Brasil? Dr. Zeudo - Devido à população carente desta região ter apresentado, durante muitos anos, deficiência de acesso à educação, baixa renda, falta de orientação sobre higiene bucal e prevenção das patologias bucais, as pessoas submetiam-se apenas a tratamento bucal quando existia dor. Sendo as doenças periodontais em sua maioria indolores, a incidência destas patologias são muito freqüentes e epidemiológicas nesta região. Periodonto - Existe por parte do governo um trabalho de conscientização sobre as doenças periodontais? Dr. Zeudo - Nenhum programa oficial visava especificamente à
prevenção e tratamento das doenças periodontais. Com o
advento do Programa de Saúde da Família (PSF), espera-se uma melhora
no esclarecimento à população em relação
à doença periodontal, sua prevenção e tratamento. Periodonto - Em que especificamente a periodontia brasileira
evoluiu nesses últimos 45 anos? Dr. Zeudo - Houve uma vertiginosa melhora na forma de
tratamento, no ensino da periodontia nas Faculdades de Odontologia, no número
de cursos de pós-graduação (especialização,
atualização científica, aperfeiçoamento científico,
mestrado e doutorado) e o crescimento e reconhecimento da Sobrape, que tanto
incentivou e contribuiu para o avanço científico da periodontia
em todo Brasil, são algumas das evoluções. Periodonto - Por que o sr. resolveu fazer especialização
em periodontia? Dr. Zeudo - No ano de 1955, na disciplina de patologia
bucal, regida pelo professor Romildo Torres (primeiro periodontista do Nordeste),
recebi como prêmio pelo trabalho apresentado (Fatores Gerais e as Doenças
Periodontais) o livro de Jean Arthur Held - "Periodontia Clínica"
e acabei me fascinando com o universo de possibilidades clínicas e científicas
que envolviam a periodontia. Periodonto - Quais foram os resultados encontrados na
pesquisa sobre leishmaniose que o sr. está desenvolvendo? Dr. Zeudo - Estas pesquisas foram iniciadas no curso
de Atualização em Cirurgia Periodontal no Ceará, por mim
ministrado, quando apareceram dois casos de leishmaniose visceral com repercussão
nas gengivas. Os tratamentos e o acompanhamento do Serviço Nacional de
Combate à Malária foram, então, iniciados. Assim que tivermos
a conclusão desta pesquisa, nos próximos seis meses, será
um prazer encaminhar os resultados para que sejam publicados neste jornal. Periodonto - Como o sr. vê a especialidade desde
o seu curso de pós-graduação, em 1962/63, realizado com
o Dr. Nelson Thomaz Lascala? Dr. Zeudo - O curso do Dr. Lascala foi a pedra fundamental no meu aprendizado
em periodontia. De lá para cá, houve uma notável evolução
desta área e, principalmente, grande interação com as demais
especialidades odontológicas, havendo assim, um grande reconhecimento
desta disciplina em nível nacional. Periodonto - Quais as diferenças existentes entre
a periodontia realizada no Nordeste e no Sul/Sudeste, por exemplo? Dr. Zeudo - Em relação ao nível
tecnológico e científico, não existe diferença.
Há apenas uma ligeira diferenciação na remuneração
por parte dos pacientes, devido ao menor poder aquisitivo da população
desta região. Periodonto - O sr. leciona em Maceió, Ceará
e Pernambuco. Quais são as principais dificuldades dessas regiões
em relação à periodontia? Dr. Zeudo - Pequena quantidade de opções
para os profissionais cursarem uma pós-graduação, tanto
pela disponibilidade de cursos, como pela dificuldade financeira de quem está
iniciando sua carreira profissional. Periodonto - Mesmo aposentado, o sr. continua trabalhando
e lecionando em Pernambuco e em outros Estados. O que mais o incentiva a continuar
nesse trabalho? Dr. Zeudo - Sou um periodontista em realização.
Sempre busco mais conhecimentos científicos e crescimento profissional.
Passo para os meus alunos o conhecimento adquirido nesses 45 anos de profissão
e me satisfaço em acompanhar o crescimento da semente plantada, sempre
os orientando tanto em seu desenvolvimento clínico como científico
(iniciação em pesquisas). Periodonto - Quais assuntos serão abordados no
livro que o sr. está escrevendo? Quando o sr. pretende lançá-lo? Dr. Zeudo - Em conversa com o Dr. Lascala, surgiu a
idéia de escrever um livro sobre minha experiência profissional,
resumindo os principais episódios ocorridos em meus cursos de pós-graduação,
presença em conclaves e acompanhamento do desenvolvimento da periodontia
nas suas diversas fases. Este livro está sendo escrito e será
editado nos próximos três anos.
* Colaborou : Dr. Edson Peres Sinnes
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