Dúvidas e Soluções

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Edição Out/Nov/Dez-2001
 
Como e para quais finalidades devemos usar magnificador de imagem (lupas de aumento) em um consultório odontológico?
por Dr. Walter Tom
 
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Um magnificador de imagem pode ser usado para todo e qualquer procedimento clínico, tendo como principal vantagem a de aumentar consideravelmente a imagem do campo observado, podendo-se então melhorar a qualidade dos procedimentos realizados, dado à evidência de que quando se vê com aumento, mínimos detalhes passam a ser grandes, podendo reduzir a longevidade de nossos trabalhos se não forem vistos. Ou seja, quando se vê maior, se vê melhor.

Outra vantagem deste dispositivo é que a posição ideal para o uso do aparelho acaba por forçar o operador a manter-se em uma correta e/ou melhor postura. Alguns cirurgiões dentistas tiveram mialgias cervicais toráxicas e/ou lombares após algum tempo de uso de um dispositivo magnificador, além de também diminuir o esforço visual do cirurgião dentista.

Existem diversos tipos de magnificadores de imagem que vão desde as simples lupas de aumento até o microscópio óptico. "Cabe ao interessado em usar dispositivo de aumento para o trabalho observar que essencialmente o sistema óptico não deve forçar o clínico a comprometer sua posição ideal de trabalho. Todo equipamento de ampliação precisa se adaptar às necessidades do operador e não ao contrário." Dainoff MJ, 1979 e Wicklund ME, 1992.

Alguns profissionais iniciam o uso de equipamentos de aumento para realizar com mais detalhes o término cervical de preparos de próteses fixas, bem como para checar as provas de copings e restaurações indiretas. Depois passam a usar lentes de aumento para todos os procedimentos clínicos. Na periodontia, tem sido bastante difundido o uso do microscópio cirúrgico com excelentes resultados.

Para escolher um sistema de ampliação e conseguir uma visão intra-oral ideal, é importante que a distância de trabalho, a profundidade do campo e o ângulo de inclinação óptica do sistema correspondam ao tamanho de seu corpo e as suas necessidades músculo-esqueléticas. Ou seja, a distância de trabalho é a distância entre os olhos do operador e o objeto observado. (Esta distância varia de uma marca de telescópio para outra, e alguns fabricantes possuem aparelhos com diferentes opções de distância de trabalho de acordo com a necessidade do operador). A profundidade do campo está situada em uma variável na qual o clínico possa alcançar uma resolução visual (foco da imagem observada). Uma vez que o profissional odontológico determinou a melhor posição de trabalho para o tronco e os membros superiores, em termos músculo-esqueléticos, deve-se determinar a inclinação óptica, que é o grau no qual os olhos do operador vão estar declinados (isto é, inclinados para baixo).

Ou seja, um pequeno grau de avanço da cabeça para baixo minimiza a tensão na musculatura dos olhos, sem comprometer a musculatura ocular e ao declinar a visão diminui a inclinação da cabeça do profissional para baixo, reduzindo portanto a tensão da musculatura cervical. O ângulo de inclinação óptica, portanto, representa um equilíbrio entre os extremos de fadiga ocular (quando não há nenhuma inclinação da cabeça para baixo) e a tensão no pescoço (quando não há nenhuma inclinação dos olhos). Este equilíbrio é determinante para o conforto do clínico. Um dado importante: por exemplo, pessoas que usam óculos (lentes corretivas para visão), tipo bifocais ou multifocais (ex.: varilux), já têm por si definido um ângulo de inclinação quando se está lendo, pois o foco para leitura neste tipo de óculos está no terço inferior destas lentes, sendo assim mais fácil sua adaptação para o uso de dispositivos de aumento.

A tecnologia dos dispositivos ópticos é sofisticada o bastante para permitir aos clínicos trabalhar sem comprometimentos, mas a escolha desses dispositivos deve ser cuidadosa. Uma das características mais importantes de um dispositivo de ampliação está no ângulo de inclinação adequado. Qualquer sistema óptico que não cumpra as exigências para uma postura equilibrada e, portanto, force um comprometimento no ângulo de inclinação do clínico, é provável que se traduza em literal dor no pescoço e/ou atrás da cabeça.

Mais informações e detalhes sobre este assunto podem ser obtidos em uma publicação da revista Jada– Brasil, vol. 2, outubro/1999 (O ângulo de inclinação e seu papel na seleção dos telescópios cirúrgicos), à disposição para leitura na Sobrape.

   
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Quais as dificuldades na manutenção dos molares inferiores?

A longevidade dos dentes molares tunelizados, hemisectados e rizectomizados tem sido demonstrada. Os molares inferiores que receberam indicação de tunelizações, principalmente os primeiros, devido a abertura de furca estar situada próxima à união esmalte/cemento, apresentam dificuldades na manutenção da saúde dento gengival. A face distal da raiz mesial apresenta concavidades importantes na parte central, atingindo aproximadamente 1,0 mm de profundidade. Esta região quando não propriamente instrumentada é fator retentivo do biofilme dental, o que poderá acarretar nova formação de bolsa periodontal e/ou cáries. A bifurcação propriamente dita apresenta canais secundários de definida importância, estabelecendo comunicação com o órgão pulpar, fato que pode desencadear envolvimentos endo-periodontais. A área apresenta também situações de textura que facilitam o acúmulo da comunidade bacteriana, determinando o surgimento de lesões cariosas.

Adequada plastia das depressões, associados ao controle mecânico com escovas interdentais, que obliteram literalmente o espaço de furca, associado a fluorterapia diária, poderá conferir mais tempo de vida aos dentes molares, desde que os controles profissionais sejam mantidos.


Colaboração: Professor Fernando Francisco Vilar Silva, professor assistente do curso de especialização em periodontia da EAP-APCD – Central




 


Dr. Walter Tom,
especialista em periodon-
tia e prótese.
Diretor da Sobrape