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  Edição Jul/Ago/Set-2001
Sócio benemérito
Entrevista
 
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A maior autoridade em periodontia mundial, o professor sueco, doutor Jan Lindhe, esteve no Brasil nos dias 7 e 8 de setembro ministrando um curso para cerca de 500 profissionais da área vindos de todo o País.

O evento teve apoio da Entidade, por intermédio do representante estadual, dr. Nelson Thomaz Lascala Junior, e foi co-ministrado pelo doutor Maurício Araújo, responsável pela vinda do professor Lindhe, juntamente aos patrocinadores Colgate, Strumann e Neodent. Na ocasião, a Sobrape entregou certificado ao palestrante, que passou a fazer parte do quadro associativo da Entidade como sócio benemérito. Dr. Lindhe concedeu, também, uma outra entrevista ao Periodonto, sob coordenação da doutora Marta Riesco:

Na foto ao lado - Dra. Marta, mestre e doutora em periodontia pela FOB-USP, coordenadora titular de periodontia UNIP, SP, e do curso de Especialização em Implantodontia da ABENO (em pé) e Dra. Amália Cáceres Moncada, professora tituilar da Universidade de Santa Maria (RS).

Periodonto - Em termos de diagnóstico, o que podemos esperar nos próximos anos para utilização em prática privada?

Dr. Lindhe - Eu acredito que para os próximos anos nenhuma novidade irá ocorrer em relação aos métodos de diagnóstico para aplicação em prática privada. Continuaremos a utilizar a sondagem para verificar profundidade de bolsa e perda de inserção e este será o método usado para realizar o plano de tratamento, assim como o acompanhamento dos nossos pacientes. Eu entendo o que você está perguntando. Você quer saber se teremos um método que seja preciso e que possa nos ajudar a controlar a progressão da doença? Eu não estou otimista que teremos novos métodos num futuro muito próximo. Atualmente, dispomos de testes para susceptibilidade de doença periodontal, porém eu não acredito que sejam muito valiosos em prática privada.

Periodonto - E em relação a testes genéticos?

Dr. Lindhe - Eu não acredito que eles sejam usados num futuro muito próximo.

Periodonto - Qual será o futuro das pesquisas em periodontia?

Dr. Lindhe - Eu acredito que o futuro será termos condições de detectar os indivíduos susceptíveis; detectar precocemente quais são os indivíduos que irão desenvolver periodontite. Seria importante também sabermos o que faz com que um indivíduo seja susceptível. Se é uma alteração de polimorfonucleares, que faz com que um indivíduo tenha uma resposta mais exacerbada tornando-o mais susceptível. Seria ótimo termos um método para detectar a susceptibilidade antes da instalação da doença, porém eu não acredito que esteja num futuro próximo. Mas apesar das dificuldades, na minha opinião esse é o futuro da pesquisa em periodontia.

Periodonto - Nos pacientes susceptíveis, qual é a melhor conduta de tratamento?

Dr. Lindhe - Eu trato com remoção de placa. Em algumas situações, uso de antibióticos na fase inicial e controle rigoroso de placa. O controle de placa será mais, mais e mais importante no controle da periodontite. Nós temos uma série de produtos que visam promover isso e aquilo, porém esquecemos do elemento básico: a limpeza da superfície e controle da placa.

Periodonto - Quando pensamos em usar antibioticoterapia, o senhor vê como fundamental o uso de teste de cultura de microorganismos e antibiograma? E qual a durabilidade do tratamento com antibióticos?

Dr. Lindhe - A durabilidade e o risco de recontaminação são o dilema quando se usa antibioticoterapia. Em Gotemburgo, nós somos extremamente cauteloso com o uso de antibióticos. Fazemos testes no início da terapia, verificamos quais são as bactérias presentes e determinamos qual é a droga mais adequada. Depois do tratamento, fazemos nova cultura para verificar se o tratamento foi efetivo.

Periodonto - Então, na sua opinião, a maneira correta deve ser fazer cultura, antibiograma, nova cultura?

Dr. Lindhe - Não é apenas a maneira correta. É simplesmente a única maneira de utilizar antibioticoterapia.

Periodonto - Podemos esperar o uso de fatores de crescimento como rotina na prática privada?

Dr. Lindhe - Eu não posso dizer que já chegamos a um produto final, porém as pesquisas estão caminhando nessa direção. Dr. Araújo mostrou que muitos fatores de crescimento já são uma realidade, porém se tivéssemos algo para potencializar a ação deles seria ideal. Como as pesquisas caminham rapidamente nessa direção, eu acredito que nos próximos dez anos teremos um produto para ser usado em consultório.

Periodonto - O senhor acredita que a periodontia seja uma boa especialidade para o futuro?

Dr. Lindhe - Certamente. A periodontia é a especialidade que introduz a biologia na prática odontológica. Eu acredito que a pesquisa em periodontia favorece todo o tratamento odontológico. Com a expansão dos implantes, a periodontia ganhou um novo espaço.

Periodonto - O senhor vê uma mudança em relação ao planejamento do tratamento nos casos de periodontite avançada depois do avanço da implantodontia?

Dr. Lindhe - Bem, isso ficou óbvio. Os implantes têm alta previsibilidade. Eu mostrei alguns casos tratados há 30 anos quando não tínhamos os recursos dos implantes e hoje talvez eu tivesse feito outro planejamento. Em algumas situações, torna-se mais fácil colocar implantes a insistir no tratamento periodontal. Eu temo que se abandone os tratamentos das doenças periodontais para substituir dentes por implantes.

Periodonto - Podemos esperar um aumento significativo nos casos de periimplantite semelhante às periodontites para os próximos anos?

Dr. Lindhe - Com certeza. As periimplantites realmente existem. Na medida em que a implantodontia se expande e mais implantes são colocados, mais casos de periimplantite veremos .

Periodonto - O senhor acredita que como a implantodontia é recente, nós não vemos os casos com tanta freqüência, porém dentro de 20 a 30 anos o cenário será outro?

Dr. Lindhe - Nós temos dificuldade para tratar a periimplantite e ainda temos a responsabilidade de tê-los colocado. Deus colocou os dentes, mas nós fizemos os implantes e, portanto, temos a responsabilidade de tratar qualquer intercorrência que possa ocorrer com eles.