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A
maior autoridade em periodontia mundial, o professor sueco, doutor
Jan Lindhe, esteve no Brasil nos dias 7 e 8 de setembro ministrando
um curso para cerca de 500 profissionais da área vindos de todo
o País.
O
evento teve apoio da Entidade, por intermédio do representante estadual,
dr. Nelson Thomaz Lascala Junior, e foi co-ministrado pelo doutor
Maurício Araújo, responsável pela vinda do professor Lindhe, juntamente
aos patrocinadores Colgate, Strumann e Neodent. Na ocasião, a Sobrape
entregou certificado ao palestrante, que passou a fazer parte do
quadro associativo da Entidade como sócio benemérito. Dr. Lindhe
concedeu, também, uma outra entrevista ao Periodonto, sob coordenação
da doutora Marta Riesco:
Na
foto ao lado - Dra. Marta, mestre e doutora em periodontia pela
FOB-USP, coordenadora titular de periodontia UNIP, SP, e do curso
de Especialização em Implantodontia da ABENO (em pé)
e Dra. Amália Cáceres Moncada, professora tituilar
da Universidade de Santa Maria (RS).
Periodonto
- Em termos de diagnóstico, o que podemos esperar nos próximos anos
para utilização em prática privada?
Dr. Lindhe - Eu acredito que para os
próximos anos nenhuma
novidade irá ocorrer em relação aos métodos de diagnóstico para
aplicação em prática privada. Continuaremos a utilizar a sondagem
para verificar profundidade de bolsa e perda de inserção e este
será o método usado para realizar o plano de tratamento, assim como
o acompanhamento dos nossos pacientes. Eu entendo o que você está
perguntando. Você quer saber se teremos um método que seja preciso
e que possa nos ajudar a controlar a progressão da doença? Eu não
estou otimista que teremos novos métodos num futuro muito próximo.
Atualmente, dispomos de testes para susceptibilidade de doença periodontal,
porém eu não acredito que sejam muito valiosos em prática privada.
Periodonto - E em relação a testes
genéticos?
Dr. Lindhe - Eu não acredito que eles
sejam usados num futuro muito próximo.
Periodonto - Qual será o futuro das
pesquisas em periodontia?
Dr.
Lindhe
- Eu acredito que o futuro será termos condições de detectar os
indivíduos susceptíveis; detectar precocemente quais são os indivíduos
que irão desenvolver periodontite. Seria importante também sabermos
o que faz com que um indivíduo seja susceptível. Se é uma alteração
de polimorfonucleares, que faz com que um indivíduo tenha uma resposta
mais exacerbada tornando-o mais susceptível. Seria ótimo termos
um método para detectar a susceptibilidade antes da instalação da
doença, porém eu não acredito que esteja num futuro próximo. Mas
apesar das dificuldades, na minha opinião esse é o futuro da pesquisa
em periodontia.
Periodonto
- Nos pacientes susceptíveis, qual é a melhor conduta de tratamento?
Dr. Lindhe - Eu trato com remoção de
placa. Em algumas situações, uso de antibióticos na fase inicial
e controle rigoroso de placa. O controle de placa será mais, mais
e mais importante no controle da periodontite. Nós temos uma série
de produtos que visam promover isso e aquilo, porém esquecemos do
elemento básico: a limpeza da superfície e controle da placa.
Periodonto - Quando pensamos em usar
antibioticoterapia, o senhor vê como fundamental o uso de teste
de cultura de microorganismos e antibiograma? E qual a durabilidade
do tratamento com antibióticos?
Dr.
Lindhe
- A durabilidade e o risco de recontaminação são o dilema quando
se usa antibioticoterapia. Em Gotemburgo, nós somos extremamente
cauteloso com o uso de antibióticos. Fazemos testes no início da
terapia, verificamos quais são as bactérias presentes e determinamos
qual é a droga mais adequada. Depois do tratamento, fazemos nova
cultura para verificar se o tratamento foi efetivo.
Periodonto
- Então, na sua opinião, a maneira correta deve ser fazer cultura,
antibiograma, nova cultura?
Dr. Lindhe - Não é apenas a maneira
correta. É simplesmente a única maneira de utilizar antibioticoterapia.
Periodonto - Podemos esperar o uso
de fatores de crescimento como rotina na prática privada?
Dr. Lindhe - Eu não posso dizer que
já chegamos a um produto final, porém as pesquisas estão caminhando
nessa direção. Dr. Araújo mostrou que muitos fatores de crescimento
já são uma realidade, porém se tivéssemos algo para potencializar
a ação deles seria ideal. Como as pesquisas caminham rapidamente
nessa direção, eu acredito que nos próximos dez anos teremos um
produto para ser usado em consultório.
Periodonto
- O senhor acredita que a periodontia seja uma boa especialidade
para o futuro?
Dr. Lindhe - Certamente. A periodontia
é a especialidade que introduz a biologia na prática odontológica.
Eu acredito que a pesquisa em periodontia favorece todo o tratamento
odontológico. Com a expansão dos implantes, a periodontia ganhou
um novo espaço.
Periodonto
- O senhor vê uma mudança em relação ao planejamento do tratamento
nos casos de periodontite avançada depois do avanço da implantodontia?
Dr.
Lindhe
- Bem, isso ficou óbvio. Os implantes têm alta previsibilidade.
Eu mostrei alguns casos tratados há 30 anos quando não tínhamos
os recursos dos implantes e hoje talvez eu tivesse feito outro planejamento.
Em algumas situações, torna-se mais fácil colocar implantes a insistir
no tratamento periodontal. Eu temo que se abandone os tratamentos
das doenças periodontais para substituir dentes por implantes.
Periodonto - Podemos esperar um aumento
significativo nos casos de periimplantite semelhante às periodontites
para os próximos anos?
Dr.
Lindhe
- Com certeza. As periimplantites realmente existem. Na medida em
que a implantodontia se expande e mais implantes são colocados,
mais casos de periimplantite veremos .
Periodonto
- O senhor acredita que como a implantodontia é recente, nós não
vemos os casos com tanta freqüência, porém dentro de 20 a 30 anos
o cenário será outro?
Dr.
Lindhe
- Nós temos dificuldade para tratar a periimplantite e ainda temos
a responsabilidade de tê-los colocado. Deus colocou os dentes, mas
nós fizemos os implantes e, portanto, temos a responsabilidade de
tratar qualquer intercorrência que possa ocorrer com eles.
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