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Uma
eterna busca. Assim, pode-se definir o trabalho de um periodontista,
pelo menos na visão do professor doutor Fávius Márcio Graça Armani,
formado pela em especialização pela Universidade de São Paulo em
1965 e pós-graduado em 1969.
Dr. Fávius foi professor-assistente da Faculdade Mogi das Cruzes
durante 13 anos,
também lecionou como professor-adjunto de periodontia na Universidade
Paulista (Unip) durante 17 anos e professor de especialização em
periodontia por mais 10 anos nessa mesma entidade.
Nesta
entrevista ao Periodonto, o professor mostra o quanto é necessário
para que o futuro estudante de odontologia possa seguir a carreira.
Não basta apenas investimento financeiro, mas principalmente a dedicação
e amor à profissão. E a maior recompensa? A felicidade do paciente
e o objetivo alcançado.
Mas doutor Fávius faz uma alerta: as faculdades estão se empenhando
ao máximo para formar os alunos, mas também é preciso aumentar a
carga horária dos cursos de especialização. "Existe a necessidade
de maior conscientização sobre a responsabilidade de ser um especialista."
Periodonto
- Por que decidiu seguir a especialidade em periodontia?
Dr.
Fávius
- Os tempos do colegial, quando praticava esportes (futebol), tive
a oportunidade de ver alguns colegas da equipe com prótese total.
Eram grupos heterogêneos, ficava curioso sobre o fato. Talvez ao
cursar a faculdade, tenha sido esta a maior busca, as perdas.
Periodonto
- O que mais o incentivou e o incentiva a continuar nessa especialidade?
Dr.
Fávius
- Continua sendo a eterna busca, cada vez mais abrangente, sendo
que os resultados são muito gratificantes. Torna-se uma alegria
a felicidade dos pacientes e também ao ver entre meus seguidores,
um deles é meu filho, Fávius Eduardo Armani.
Periodonto
- O sr. procurou outro tipo de especialidade para estudar antes
de optar pela periodontia?
Dr. Fávius - Não. Foi amor à primeira
vista.
Periodonto
- Qual o conselho que o sr. daria para quem está estudando odontologia
e para quem pretende seguir a careira em periodontia?
Dr.
Fávius
- Odontologia é uma área de trabalho que requer amor por aquele
que a faz, que se realize pelo que exerce. Caso isso não ocorra,
fatalmente haverá frustração. Àqueles que desejam seguir uma especialidade,
que seja periodontia ou não, devem encarar tal fato com um amor
profundo, dedicar-se com alegria cuja retribuição será os resultados
obtidos. Somente assim, será um casamento feliz, não efêmero, ...
Periodonto
- Em termos gerais, como o sr. avalia hoje a situação das faculdades
de odontologia?
Dr. Fávius - É imensa a responsabilidade
de uma instituição a formação profissional de seus alunos. Outrossim,
vejo como um esforço muito grande das faculdades para se manterem
e cumprirem o seu dever social para com nosso povo. Seria ideal
que o currículo fosse mais abrangente.
Periodonto - Como o sr. analisa a periodontia
no Brasil em relação aos outros países?
Dr.
Fávius
- Em relação aos países mais desenvolvidos nessa área, nossa periodontia
e nossos periodontistas são heróis, com recursos menores conseguimos
os mesmos êxitos.
Periodonto - O que o sr. acha dos cursos
disponíveis de especialização em periodontia?
Dr.
Fávius
- Acho que toda e qualquer oportunidade para aprendizado não deve
ser descartada. Assim sendo, volto a sugerir que o aumento da carga
horária é altamente desejável. E que aqueles que atualmente fazem
estes cursos se conscientizem ao máximo sobre a responsabilidade
em ser especialista. Significa ser especial. Esmere-se, então.
Periodonto
- Em relação à manutenção e controle, o que o sr. tem a dizer?
Dr. Fávius - Manutenção e controle,
no meu entender, são a pedra angular da vida em periodontia, bem
como em odontologia. Deveria ser executada como prevenção primária
- manutenção e controle da saúde inicial. Após a perda, só nos resta
a terapêutica e novamente manutenção e controle. Caso contrário,
não faz sentido a especialidade. Embora, assim pensando, não consigo
executar mais procedimentos além de 25% (no máximo) dos casos atendidos.
A manutenção e controle se prestam enormemente para o nosso desenvolvimento
científico, avaliando os resultados obtidos e nos mostrando onde
devemos evoluir e também sedimentando conceitos.
Periodonto - O que o sr. tem a dizer
sobre a casuística em gengivite descamativa?
Dr. Fávius - Ao iniciarmos o exercício
da especialidade na região do ABC, havia uma grande carência de
profissionais que se dedicassem à periodontia. Era comum ser referendado
pacientes ao meu consultório com diversos tipos de patologias, tais
como leucemia, sífilis, líquem plano, herpes etc., entre elas a
gengivite descamativa em seus mais diversos graus. Nos dedicamos
mais a esta patologia por ser inerente à periodontia. Tivemos a
oportunidade de introduzir uma terapêutica pela técnica do retalho
dividido, então emergente, com resultados controlados por cortes
histológicos. Foi altamente promissor. Conseguimos acompanhar a
maior parte dos pacientes por muitos anos, cujos resultados foram
satisfatórios. Este trabalho foi apresentado na década de 70 no
congresso de periodontia de Belo Horizonte e no Congresso Paulista
de Odontologia.
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