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....."Cada paciente é um paciente." Esta afirmação, feita pelo doutor Gilberto Marcucci, parece um pouco óbvia, mas quando o assunto é afta a frase é bem pertinente. Ainda não se conhece a origem desta doença. O certo é que a afta é uma alteração da mucosa bucal e que ocorre em cerca de 20% da população brasileira. Destes, 80% apresentam aftas menores e apenas 10% procuram tratamento devido às constantes recidivas. .....Segundo Stanley (1972), são quatro os estágios da afta: primeiro, o Sintomático, ocorre nas primeiras 24 horas, com um formigamento seguido de ligeira queimação. O segundo, o pré-ulcerativo, ocorre entre 24 a 72 horas, apresentado por eritema, pápula, halo inflamatório circular ou oval com início de dor. O terceiro estágio é o ulcerativo, que surge entre 7 a 10 dias, apresentando ulceração rasa, bem delimitada, halo eritematoso, às vezes crateriforme, porção central com exusdato fibrinoso branco acizentado, necrótico e com dor intensa por dois ou três dias. O quarto estágio, o de reparação, dependendo do tipo da afta, ocorre de 4 a 35 dias, em média de 10 a 14 dias. .....Muitos são os fatores que podem predispor as aftas, como a ingestão de determinados alimentos, principalmente frutas ácidas, chocolate, refrigerantes. O trauma nessa mucosa, como os causados nos pacientes usuários de aparelhos ortodônticos, podem propiciar seu desenvolvimento. O fator hereditariedade também foi muito pesquisado. Estudo realizado por Tommasi (1975) com 151 casais e filhos mostrou que a possibilidade de os filhos manifestarem aftas era de 82%, quando ambos - pai e mãe - tinham aftas. Quando só um dos pais tinha afta, a possibilidade decresceu para 48%. .....Nos casos em que os pais não apresentavam a doença, a probabilidade de os filhos terem aftas foi de 18%. Os autores mais atuais acreditam que sua origem teria um fundo imunológico, que por apresentar defeito venha a reagir contra a própria mucosa bucal. O fator psicogênico estresse, provocando queda imunitária, estaria largamente associado ao seu desenvolvimento. .....Segundo Marcucci, existem três tipos de aftas: de mikulicz, de 2 a 10 milímetros, ocorrendo na grande maioria dos casos ocorre nas mucosas não queratinizadas (mastigatória), lembrando a segunda fase evolutiva do herpes simples
com regeneração final em 7 a 10 dias, sem cicatrizes. Outro tipo é a afta de sutton (periodinite mucosa necrótica recorrente cicatrizante de sutton), que mede até dois centímetros, tem um tempo de permanência que pode durar até 15 dias ou até meses. Doutor Marcucci lembra que este tipo de afta é uma das poucas que deixa uma cicatriz. A terceira é a herpetiforme (cooke), que são pequenas, múltiplas, rasas, dimensões de até três milímetros. Às vezes, ocorre também em mucosas queratinizadas (mastigatória) e lembra a segunda fase evolutiva do herpes simples. .....O diagnóstico, segundo o doutor Marcucci, é feito por meio de uma boa anamnese, exame clínico, sem precisar, na grande maioria dos casos, de exames complementares. Quando na dúvida, pode-se lançar mão de exame citológico e até do histopatológico. .....Há cura? .....Diante desses fatores, como conseguir um tratamento adequado que cure a doença? Infelizmente, ainda não há um tratamento definitivo para evitar sua recorrência em todos os casos, mas para esta pergunta o doutor Marcucci propõe a seguinte conduta preventiva: registrar diariamente em um livro toda e qualquer substância ingerida, como alimentos, medicamentos e outros com a finalidade de detectar e conseqüentemente, evitar os possíveis agente desencadeantes ou predisponentes. .....Como tratamento sintomático local, aplicar Omcilon-A em orobase duas a três vezes ao dia ou anestésico tópico, principalmente antes da alimentação . O tratamento das reincidências, lembra Marcucci, é empírico e individual, podendo-se tentar a utilização de medicamentos citados na literatura, mas devendo-se ter conhecimentos prévios de seus efeitos secundários e contra indicações e não esperando resultados positivos em todos os casos, como seguem: levedo de cerveja, lisina, ferro, própolis, zinco, onco BCG, levamisole, colchicina, azelastina, azatioprina, ameloxanoz a 5%, pentoxifilina, talidomida, interferon, sulfona, isoprinosini, tetraciclinas, corticoesteróides sistêmicos, entre outros. .....O importante, segundo ele, é observar a qualidade dos surtos, se ocorrem com freqüência ou esporadicamente e, principalmente, quais os possíveis fatores que possam provocar sua formação.
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Colaboraram neste matéria Dr. Walter Tom e Dra. Cristina Salge Reppucci
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