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Reportagem
de Capa
Colaboração:Walmir Armello e Ana M. Grbara Carboni
Diabetes em odontologia
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Existem inúmeras dúvidas quando do tratamento odontológico a pacientes portadores do diabetes, tanto advindas do profissional, quanto do paciente. O Departamento Odontológico da Associação Nacional de Assistência ao Diabético - Doanad, coordenado pelos doutores Ana Miriam Gebara Carboni, Luis Antônio Cherubini Carvalho e Walmyr Ribeiro de Mello, há alguns anos, vem trabalhando em estudos, pesquisas e tratamento odontológico, com pacientes portadores desta patologia. O objetivo do departamento é buscar subsídios direcionados aos profissionais da área odontológica para colaborar na condução do tratamento destes pacientes. O que é o Diabetes Mellitus? O Diabetes Mellitus é considerado uma das principais doenças crônicas da atualidade, devido a sua alta prevalência e elevadas taxas de morbidade e mortalidade, quaisquer que sejam os países ou raças. No Brasil, a ocorrência do diabetes na população urbana é de 7,6% e sua prevalência está associada à história familiar, idade e obesidade. A doença está entre as 10 maiores causas de mortalidade no Brasil e, no período de 1974 a 1975, representou 10,8% do total de mortos entre pessoas de 15 a 74 anos, no Estado de São Paulo. A doença caracteriza-se como uma síndrome heterogênea, extremamente complexa, cuja manifestação primária é a hiperglicemia crônica conseqüente à produção pancreática diminuída de insulina ou sua ação anômala ao nível de membrana celular. O Diabetes Mellitus classifica-se em quatro subgrupos: Diabetes Mellitus insulino-dependente (IDDM) ou tipo 1; Diabetes Mellitus não insulino-dependente (NIDDM) ou tipo 2; outros tipos de diabetes associados a certas condições ou síndromes, e o diabetes gestacional. Em âmbito clínico odontológico, os mais comuns são: IDDM e NIDDM, os quais passam a ser detalhados. O IDDM, hoje denominado diabetes tipo 1, é a forma mais comum entre crianças e adultos jovens, caracterizando-se pela perda da capacidade do pâncreas em produzir insulina para destruição completa das células beta das ilhotas de Langerhans. Nas pessoas acometidas desse tipo de diabetes, o tratamento insulínico é essencial durante toda a vida, porque previne a cetoacidose. O NIDDM, hoje denominado de diabetes tipo 2, caracteriza-se pela diminuição na secreção e ação da insulina em nível celular. O tratamento insulínico não é necessário para manutenção da vida ou prevenção da cetoacidose nestas pessoas, ainda que muitas necessitam dele para obter controle adequado da glicemia. As complicações clássicas do Diabetes Mellitus, hoje, são: microangiopatias, macroangiopatias, nefropatias, neuropatias, retardo de cicatrização e doenças periodontais, todas devido à hiperglicemia, hiperlipidemia e outras complicações associadas. O paciente diabético tem um aumento da susceptibilidade a infecções, devido à deficiência de leucócitos T polimorfornucleares, o que resulta em quimiotaxia, fagocitose a aderência prejudicadas. Infecção e descompensação andam juntas, causando prejuízos recíprocos. É necessário enfrentá-las bem e paralelamente. Na vigência de acometimento infeccioso grave, a conduta correta corresponde à remoção destes focos infecciosos. Deve-se ter atenção à conduta sempre que esta for de forma invasiva. Neste caso, é indispensável lançar mão de todos os recursos de semiotécnica (exames laboratoriais; hemograma completo; coagulograma, glicemia capilar, que deverá ser feita a cada início de procedimento; exames radiológicos (panorâmica e periapical sempre que houver suspeita de foco isolado, necrose pulpar abscesso crônico, cisto e granuloma). É primordial ter consciência da importância do tratamento, que deve ser multidisciplinar, sendo indispensável o encaminhamento prévio ao endocrinologista para avaliação e controle glicêmico. Isto porque muitas vezes estes pacientes estão descompensados, mesmo com uso de medicação e dieta. Condições sistêmicas como fatores de risco para doença periodontal Não é claro o motivo pelo qual o diabetes aumenta o risco para uma periodontite grave, apesar de que uma susceptibilidade aumentada à infecção e a resposta de piora do hospedeiro sejam provavelmente fatores para tal. Em muitos diabéticos, particularmente aqueles cuja doença é precariamente controlada e tem uma longa duração, a membrana basal dos pequenos vasos engrossa, como resultado da glicosilação não-enzimática dos componentes da matriz extracelular e proteínas intracelulares, com o acúmulo subseqüente de depósito conhecido como produtos finais da glicolisação avançada (AGEs), na parede e sobre superfície luminal. Essas mudanças podem estreitar o lúmem do vaso e interferir com o transporte por meio da parede do vaso, conferindo um estresse aos tecidos periodontais e prolongando a inflamação. Pelo lado positivo, a maior parte dos estudos indicou que o diabetes bem controlado de pacientes que recebem um cuidado de manutenção periodontal regular, que têm bons hábitos de higiene oral e que não têm excesso de cálculos não estão mais susceptíveis de desenvolver a periodontite grave do que os que não têm o diabetes. Além disso, os diabéticos bem controlados mostraram responder tão bem à terapia periodontal quanto os não-diabéticos, e tal terapia não apenas melhora a condição periodontal como também o controle metabólico da doença.
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