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Ponto de Vista

 
*por Ana Cristina Aliman

Os cuidados que devemos ter com a anestesia em odontologia

 
 

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.Os médicos, assim como os odontologista, correm riscos inerentes à natureza do trabalho e do ambiente onde é desenvolvido. Ao cuidar dos pacientes e dedicar-se a eles, o profissional muitas vezes se esquece ou negligencia as medidas mais elementares de autoproteção como uma simples máscara, gorro e luvas, o que poderão trazer repercussões imediatas ou tardias para a sua saúde.

 

.....Já no final da década de 80 e início de 90, a maioria dos trabalhos de pesquisa na literatura internacional se refere aos problemas infecciosos durante o contato com o sangue, secreções e líquidos corporais, envolvendo principalmente a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), a hepatite e o herpes labial. Devemos lembrar que os acidentes com as agulhas ocorrem 95% das vezes ao reencapá-las.

 

A importância da Anamnese

 

.....A anamnese compreende uma história e um exame físico que poderão ser anotados em fichas formulários ou computador, tendo importância médico-legal, caso ocorra alguma intercorrência com o paciente. Devemos fazer as seguintes perguntas aos nossos pacientes:

 

experiências prévias em anestesia, história de alergias a medicamentos, principalmente aos anestésicos locais utilizados na odontologia;

 

história de convulsões durante anestesias;

 

cardiopatias, principalmente as valvulares: prolapso da válvula mitral e estenose aórtica subvalvular devem receber antibióticos previamente contra endocardite bacteriana. As extrações dentárias apresentam bacteremias em 30-80% dos casos e devem receber por via oral penicilina 2g (uma hora antes) e 1g seis horas depois) em casos de alergia, eritromicina 1g (uma hora antes) e 500g (seis horas depois) e parenteral ampicilina 2g IM ou IV + gentamicina 1,5 mg.kg IM ou IV (30 minutos antes), em caso de alergia vancomicina 1g IV (uma hora antes);

 

medicações que fazem uso como anticoagulantes orais;

 

ferimentos que sangram por muito tempo, demonstrando defeito na coagulação;

 

se já receberam transfusão sangüínea aumentando o risco de contaminação;

 

presença de tumores orais impedindo a abertura da boca e com risco de grandes sangramentos;

 

uso abusivo de drogas as quais poderão interagir com os anestésicos locais;

 

pacientes psicopatas que apresentam comportamento difícil.

 

 

Interações medicamentosas em anestesia

 

.....A interação se dá por alterações no nível do local de ações de dois ou mais fármacos usados simultaneamente. Os efeitos adversos podem ser minimizados se essas interações forem devidamente previstas e se forem tomadas as medidas apropriadas.

 

.....Os anestésicos locais são utilizados na anestesia locorregional associados ou não a vasopressores, sendo mínima a repercussão sistêmica de seus efeitos. No entanto, a possibilidade de sua absorção venosa acidental ou de sobredosagem pode provocar altos níveis plasmáticos com alterações hemodinâmicas graves para o paciente, sobretudo na presença de outros fármacos com potencialidade de interagir sinérgica ou antagonicamente.

 

Vejamos o exemplo abaixo:

 

Anestésico local + adrenalina = maior acidez = maior latência e duração com menor absorção

 

Farmacologia dos anestésicos locais

 

.....O primeiro anestésico local descrito foi a cocaína, extraída das folhas de Erythroxylon coca em 1860 por Albert Niemann, na Alemanha. A seguir, em ordem cronológica, Lidocaína, em 1944; Prilocaína, em 1960; Bupivacaína, em 1963: e, por último, a Ropicaína, em 1983.

 

.....Farmacodinâmica Os anestésicos locais são substâncias que bloqueiam a condução nervosa de forma reversível, sendo seu uso seguido de recuperação completa da função do nervo. O sítio de ação dos anestésicos locais é a membrana celular, onde interrompem o processo de excitação-condução.

 

Doses máximas recomendadas para os anestésicos locais

 

H
Procaína
1.000mg
H
Lidocaíca
500mg
H
Prilocaína
900mg
H
Mepivacaína
500mg
H
Bupivacaína
200mg

 

.....Sempre que não houver contra-indicações (circulação terminal, problemas cardiovasculares graves), o vasoconstritor deve ser utilizado. A incidência de fenômenos de intoxicação sistêmica é menor quando se utiliza a associação. Quanto mais vascularizado for o sítio de aplicação do anestésico local, maior será o benefício da associação. O vasoconstritor ideal é a epinefrina, na concentração de 5 mg.mL (1:200.000). A epinefrina, além de reduzir a velocidade de absorção do anestésico local, possui ação anestésica local, melhorando dessa forma a qualidade do bloqueio.

 

.....Os sinais e os sintomas de intoxicação pelo anestésico local dependem não só de sua concentração plasmática, mas também da velocidade com que se estabelece essa concentração. A concentração plasmática tóxica aproximada para a lindocaína é 8 mg.mL. Os sintomas serão: formigamento de lábios e língua, zumbidos, distúrbios visuais, abalos musculares, convulsões, inconsciência, coma, parada respiratória e depressão cardiovascular.

 

.....As medidas terapêuticas adequadas devem visar à oxigenação do tecido cerebral e à correção de acidose. É importante lembrar que a convulsão é autolimitada. Se houver adequada pefusão cerebral, a redistribuição do anestésico local ocorrerá rapidamente com controle do quadro.

 

Bibliografia

 

.....Anestesiologia - Princípios e Técnicas

.....Segunda edição

.....James Manica e colaboradores


*Dra. Ana Cristina Aliman é médica anestesiologista-assistente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (InCor), mestra pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1997, doutoranda pela FMUSP, médica assistente e diretora científica do Hospital São Luiz - Unidade Morumbi, médica intensivista com título pela AMIB e título de especialista em anestesiologia pela FMUSP.