.....Mais do que se falar em evolução na odontologia, e mais especificamente em periodontia, como muito bem relatou os autores nas edições passadas, gostaria de fazer um paralelo e ao mesmo tempo propor uma reflexão a respeito de algumas mudanças que ocorreram com a evolução da odontologia. .....Voltemos um pouco no tempo, há mais ou menos três décadas. Na época em que eu cursava a faculdade de odontologia, as aulas eram em dois ou três períodos, três vezes por semana. O conteúdo programático era mais amplo, e os ensinos teórico e prático tinham uma carga muito maior. .....Hoje, com o passar dos anos, vem se aumentando o número de faculdades, sem uma preocupação com a qualidade da formação do aluno. Observa-se que muitas das faculdades de odontologia dão o curso em meio período. Temos de ficar atentos para a qualificação do futuro profissional, pois eles não têm saído da faculdade tão bem-preparados para enfrentar o mercado de trabalho. .....Como melhorar um pouco essa situação? O futuro profissional deve procurar sempre algo mais, desde o início da faculdade, participando de encontros e fazendo cursos direcionados para os acadêmicos. Não deve acontecer como no passado em que o dentista se formava, montava um consultório e ficava trabalhando. Eles eram muito mais técnicos. .....Hoje não basta ser apenas um técnico. A diferenciação profissional está em se manter atualizado, não só tecnicamente. Temos de buscar o que está acontecendo. Inicialmente os cursos de especialização também são um bom caminho. Mas procure aqueles que darão uma boa formação. .....Para tanto, deve-se conhecer quem são os ministradores, a carga horária e a qualidade do curso. O curso organizado pela Sobrape é uma boa referência, mesmo sendo novo, pois tem um corpo docente qualificado. A participação em congressos, seminários e cursos ministrados por profissionais estrangeiros é muito importante, além de consultas freqüentes a revistas científicas para podermos acompanhar o que está se pesquisando. .....Por exemplo, na edição de setembro da revista Science publica um trabalho mostrando o isolamento de uma proteína que associada ao macrófago o transforma em osteco-lasto. A esperança é que com isso possa haver cura para doença periodontal. .....O periodontista deve estar atualizado em todas as especialidades da odontologia e conhecer todos os assuntos de sus especialidade, mesmo que não atue em alguns deles. .....Os implantes osseointegrados mudaram o planejamento do paciente com doença periodontal. .....Hoje se extrai dentes com prognóstico desfavorável para se viabilizar a colocação de implantes.
O laser na periodontia é uma realidade, dentre as várias indicações a de maior importância é a redução bacteriana. .....O dentista deve estar bem informado a respeito das doenças infectocontagiosas, como se proteger e tratar estes pacientes, lembrando sempre que não podemos discrimina-los. .....Também devemos estar atentos em relação aos pacientes com doenças sistêmicas que tem sinais e sintomas na cavidade oral, e nos momentos em que o tratamento foge do âmbito da odontologia encaminha-lo ao seu médico. O caminho para o sucesso depende da diferenciação profissional.
*Dr. Carlos Boulos é professor adjunto de Periodontia da Unicid.
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