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Entrevistas

** Dr. Getúlio Hashimoto
 
*Colaboraram nesta entrevista

 

 
 

 

Periodonto: Em que se baseia um plano de tratamento do paciente diabético tipo 1 e tipo 2 e quais as dificuldades para o seu sucesso?

 

Dr. Hashimoto: O diabetes mellitus é uma patologia crônica, multifatorial e/ou heredo-familiar, onde os objetivos para o bom controle englobam disciplina e conhecimento da moléstia. Dietas alimentares: restrição de hidratos de carbono, correção de vícios (fumo, bebidas alcoólicas, drogas, etc.), manutenção de peso ideal (cálculo pelo IMC - Índice de Massa Corporal = peso em kg dividido pela altura em metro ao quadrado, faixa normal de 18 a 25 kg/m2), atividade física adequada e medicações conforme a classificação da patologia, tipo 1: insulinoterapia e hipoglicemiantes orais para o tipo 2.

O conhecimento do diabetes mellitus é fundamental para que sejam evitadas a progressão e as complicações tardias (Retinopatias, nefropatias, neuropatias, vasculopatias, hipertensão arterial sistêmicas), por ser de evolução crônica à exceção da cetoacidose diabética coma hiperosmolar, eventos de instalações agudas e graves, desencadeados por stress físico, emocional e/ou infecciosos, muitos pacientes convivem inadequadamente com o controle glicêmico.

 

Periodonto: Do ponto de vista clínico-médico, quando um paciente diabético está apto para um tratamento odontológico?

 

Dr. Hashimoto: Encontrando-se com valores glicêmicos (controlado por glicemia de jejum e pós-prandial de 2 hs, hemoglibinas glicosiladas), sem outras patologiasque possam interferir no equilíbrio do diabetes mellitus assim como sua complicações sob controle, o mesmo estará apto para o tratamento odontológico.

 

Periodonto: Quais cuidados que o Sr. colocaria de forma primordial que o cirurgião-dentista deve estar atento quanto ao diagnóstico e tratamento odontológico em pacientes diabéticos?

 

Dr. Hashimoto: Anamnese completa, exame físico geral (P.A., pulso) e específico, incluindo a cavidade bucal (presença de lesões neoplásicas, mucor, micose de palato, lesões paraneoplásicas), exames subsidiários e avaliação de outras especialidades, quando necessário, são os procedimentos coerentes, que darão segurança ao paciente e ao profissional.

 

Periodonto: Quanto a medicações (antinflamatórios e antibióticos) o que o Sr. recomendaria para uma complementação no tratamento odontológico?

 

Dr. Hashimoto: Conhecedor do estado físico em que se encontra o paciente e da necessidade de uso de antinflamatório, usar preferencialmente esteróides não hormonais e os antibióticos de amplo espectro, deve-se fazer uso com atenta observação para a presença de efeitos colaterais dos mesmos (ex: vômitos, distúrbios gastrointestinais) que são fatores propícios para uma descompensação do quadro diabético.

 

Periodonto: Como o Sr. vê a interligação do cirurgião-dentista com o médico?

 

Dr. Hashimoto: É fundamental. O contato do cirurgião-dentista com o médico é muito importante, uma vez que podemos colaborar orientando na prevenção dos riscos a que o diabético está sujeito.

 

Periodonto: O Sr. acha válido o uso do glicosímetro no consultório odontológico?

 

Dr. Hashimoto: Sim. Realizado por pessoas habilitadas, os valores glicêmicos obtidos por sangue capilar periférico expressa momentaneamente o estado glicêmico do paciente.

 

Periodonto: Qual a sua opinião sobre o papel do cirurgião-dentista no controle e tratamento do paciente diabético?

 

Dr. Hashimoto: Importante no esclarecimento da prevenção dos hábitos salutares de nutrição, uma vez que as patologias dentárias são causas freqüentes na manutenção do desequilíbrio glicêmico do diabético.

 

Periodonto: A que outras alterações o cirurgião-dentista deve estar atento ao atender seus pacientes?

 

Dr. Hashimoto: O clínico odontológico deve estar sempre atento e concentrado em seus procedimentos e nas reações do paciente. Ex: na presença de sudorese, palidez, mal-estar do paciente diabético, durante os procedimentos odontológicos, dedicar atenção especial para coronariopatias (infarto do miocárdio, isquemia), uma vez que normalmente são indolores e antes de medicá-lo com açúcar na suspeita de hipoglicemia, fazer uso do glicosímetro.Outras patologias comumente encaminhadas para os endocrinologistas são as disfunções tireoideanas, tipo tireoidites com manifestações dolorosas mandibulares e/ou retroauriculares.Disfunções das glândulas paratireóides, suspeitados durante radiografias simples (periapicais) ou panorâmicas da arcada dentária onde há reabsorção da lâmina dura.Outra alteração importante é quando há um espaço interdentário generalizado associado à disfunção de ATM, deve-se suspeitar de hipersecreção de hormônio de crescimento (acromegalia) = tumor hipofisiário secretor de hormônio de crescimento, que normalmente o paciente é indicado para ortodontia e quando chega ao médico já é tarde e o tumor já está evoluído.


** O Dr. Getúlio Tetsuo Hashimoto é médico endocrinologista
        e assistente do Serviço de Endocrinologia do Hospital Brigadeiro em São Paulo.

*Colaboraram para esta entrevista.

Dra. Ana Miriam Gebara Carboni,

Dr. Walmyr Armello

Dr. Walter Tom.