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Inter-relação odontologia e cardiologia

 

 
 
por Cristiane Pinheiro
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Qual a relação entre a doença periodontal (infecção gengival e óssea) e o desenvolvimento subseqüente de cardiopatia? Existe alguma relação de causa e efeito? Durante os procedimentos mais invasivos (cirúrgicos periodontais), quais os cuidados profiláticos que devemos tomar em relação às cardiopatias? E para um paciente aparentemente saudável, que em uma anamnese não relatou problemas cardíacos? De que forma o paciente com prolapso de válvula mitral deve ser atendido pelo periodontista ou clínico? Como um paciente normal? Este paciente corre o risco de desenvolver endocardite bacteriana? De acordo com o doutor José Carlos Câmpora, chefe da equipe médica do Centro Integrado de Medicina Interna que atende nas áreas de clínica médica e cardiologia no Hospital Nove de Julho, não há estudos ou estatísticas específicos em relação a doença periodontal e o desenvolvimento subseqüente de cardiopatia, mas os riscos relacionados a esses pacientes podem ser avaliados pelos mesmos índices usados para patologias de características semelhantes. "Usamos os índices ASA (American Society of Anesthesiology) e Goldman, que são aceitos internacionalmente. Estão graduados de risco I (mínimo) a risco V (máximo)." Para ele, também não há uma relação causa e efeito. A doença periodontal leva a um processo de natureza inflamatória e infecciosa, além de exigir o uso de medicamentos e de procedimentos anestésico-cirúrgicos. No entanto, alerta, a doença periodontal, assim como qualquer processo infeccioso, pode agravar o quadro clínico e dificultar o tratamento de um paciente cardiopata. "Vale lembrar que as patologias e procedimentos periodontais podem ser a "porta de entrada" em casos de endocardite bacteriana. É sabido que os focos de infecção odontológica são uma das principais fontes causadoras de endocardite. Por isso, acredito que no acompanhamento desses pacientes seja fundamental na realização de exames odontológicos periódicos para a erradicação de eventuais focos infecciosos. Mas mais importante que imaginar o dano que acidentalmente possa ser causado a esses pacientes, é sabermos que os procedimentos realizados dentro de uma técnica perfeita e cuidados de profilaxia - que incluem uma boa avaliação e preparo pré-operatório do paciente podem levar à maior segurança e a resultados isentos de complicações. Fica também clara a importância de um bom cuidado odontológico na manutenção de condições estáveis para o paciente cardiopata." Já os pacientes portadores de valvopatias, mal formações congênitas, próteses valvares, entre outras, necessitam de antibioticoterapia profilática para endocardite bacteriana antes de procedimentos periodontais. Quanto aos portadores de prolapso de valva mitral, doutor Câmpora afirma que esse cuidado só estará indicado quando - associado ao prolapso - existir incompetência valvar e/ou degenerativa mixomatosa das lascíneas valvares. "Ocorre que muitas dessas situações podem ser assintomáticas e passar desapercebidas. Os dados da anamnese não são suficientes para uma avaliação correta, sendo por isso recomendável que os pacientes sejam submetidos a uma avaliação cardiológica prévia ao procedimento a ser realizado", ressalva o médico clínico cardiologista. Por isso, doutor Câmpora recomenda seguir as normas da American Heart Association, que estipula o uso da amoxacilina (2 gramas via oral para adultos ou 50 mg/kg de peso para crianças), uma hora antes do procedimento. E em pacientes alérgicos fique atento: deve-se usar, como alternativas, a clindamicina, cefalosporina, azitromicina ou claritromicina. Porém, Câmpora comenta que deve considerar que os analgésicos e antiinflamatórios hormonais (corticoesteróides) e não hormonais (aspirina, butazona, diclofenaco etc.) podem levar a distúrbios gastrointestinais, retenção hídrica, danos de função renal e alterações da coagulação sangüínea, principalmente em pacientes idosos. Podem ainda modificar a ação farmacológica de certos medicamentos usuais na clínica cardiológica (cumarínicos, por exemplo). Por sua vez, os anestésicos locais, principalmente quando associados a vasoconstritores, podem provocar e agravar distúrbios no ritmo cardíaco e variações de pressão arterial. E ainda levar a metahemoglobinemia (prilocaína). "Tudo isso nos faz concluir que uma boa avaliação clínicocardiológica do paciente idoso, cardiopata, usuário de medicamentos para controle de pressão arterial, diabetes, problemas circulatórios etc., é ideal para a segurança do procedimento." Quanto aos pacientes portadores de marca-passo cardíaco, doutor Câmpora afirma que não apresentam qualquer contra-indicação ao uso do ultrassom odontológico, bem como a qualquer modalidade de ultrassonografia, uma vez que não existe influência do ultrassom no funcionamento do marca-passo. "O que ocorre nesses pacientes é a contra-indicação à realização de exames de ressonância magnética e a necessidade de alguns cuidados especiais em cirurgias com uso do bisturi elétrico", alerta. Por todos esses detalhes, o doutor Câmpora afirma que o hábito de avaliar clínica e cardiologicamente o paciente antes de qualquer procedimento odontológico que envolva cirurgia, medicação, anestesia etc. deve ser rotineiro. "Isso levará à maior segurança para o paciente e tranqüilidade para o profissional. E lembra: "esse intercâmbio requer maior atualização do clínico-cardiologista em relação às condutas e patologias odontológicas e, necessariamente, a idéia de que um trabalho em equipe faz qualquer procedimento médico/odontológico deixar de ser um "vôo cego" e passar a ser uma "viagem programada". O caminho ideal, segundo ele, é a maior integração entre as unidades de classe, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Conselho Regional de Odontologia, entre outras. "Essa maior integração poderá levar à abordagem rotineira de assuntos odontológicos nos congressos de cardiologia e vice-versa, trazendo ao profissional de uma área maior conhecimento da outra e promovendo maior integração entre o dentista e o cardiologista, que certamente beneficiará em muito o paciente." Dr. Câmpora finaliza comentando que é válido ainda que o dentista seja incentivado a criar o hábito de manter contato com o cardiologista do paciente e vice-versa em todos os eventos inter-relacionados, levando a um atendimento multidisciplinar mais abrangente e mais seguro. Veja o que a The American Academy of Periodontology comenta sobre a inter-relação odontologia e cardiologia Por que devo me alertar quanto à ligação entre doença do coração e doença periodontal? Corações e gengivas saudáveis desempenham papéis vitais na manutenção de um corpo sadio. Porque a doença periodontal é uma infecção bacteriana, as bactérias periodontais podem entrar na corrente sagüínea, viajar para os órgãos mais importantes e dar início a novas infecções. O coração é um dos órgãos mais susceptíveis. A doença do coração (ou doença cardiovascular) afeta mais de 60 milhões de americanos. É a principal causa de morte nos Estados Unidos. Entretanto, muitas formas de doença do coração podem ser prevenidas. Cuidar de sua saúde periodontal pode ser um passo importante no rumo da prevenção, ao lado do controle dos conhecidos fatores de risco de doença do coração. Como a doença periodontal aumenta meu risco de uma doença do coração? Existem diversas teorias para explicar a ligação entre doença periodontal e doença do coração. Uma teoria é de que as bactérias orais podem afetar o coração quando elas entram na corrente sangüínea, aderindo às placas de gordura nas artérias coronárias (vasos sangüíneos do coração) e contribuindo para a formação de coágulos. A doença da artéria coronária é caracterizada por um espessamento das paredes das artérias coronárias devido à elevação de proteínas gordurosas. Os coágulos de sangue podem obstruir o fluxo normal do sangue, restringindo a passagem das quantidades de nutrientes e oxigênio necessárias para que o coração funcione adequadamente. Isso pode levar a ataques do coração. Os pesquisadores descobriram que as pessoas com doença periodontal têm quase o dobro das possibilidades de sofrer de doença de artéria coronária em comparação com os que não têm a doença periodontal. Quais as precauções a tomar antes do tratamento dentário? A doença periodontal pode afetar o coração de outras formas. Algumas condições existentes no coração podem levar as pessoas ao risco de endocardite infecciosa. A endocardite infecciosa é caracterizada pela inflamação do revestimento do coração e das válvulas cardíacas. Pacientes com um histórico de febre reumática, prolapso da válvula mitral ou sopro do coração podem necessitar de antibióticos antes dos procedimentos dentários. Seu periodontista e seu cardiologista serão capazes de determinar se suas condições do coração exigem o uso de antibióticos antes dos procedimentos dentários. A Associação Americana do Coração identificou princípios de ajuda na proteção dos pacientes de maior risco de endocardite infecciosa. Essas pessoas podem estar sujeitas especialmente a problemas de coração em seguida a um procedimento dentário. Se você apresentar um risco de endocardite infecciosa, seus dentista e/ou periodontista podem tomas medidas para ajudar na limitação da entrada de bactérias na corrente sangüínea durante os procedimentos dentários, que incluem: ü tratamento de qualquer infecção periodontal existente; ü prescrição de antibióticos antes do procedimento; ü pedir-lhe que faça mais visitas de manutenção; ü ajudá-lo a prevenir a doença periodontal mediante a revisão do cuidado adequado para seus clientes em casa. Se você sabe que tem doença do coração ou está sendo submetido a um tratamento de complicação cardiovascular, é especialmente importante para você apresenatr boa saúde periodontal. Procure um periodontista para uma avaliação periodontal. A doença periodontal tem sido também ligada a outros importantes problemas da saúde, incluindo doenças respiratórias, diabetes, osteoporose e nascimentos prematuros ou de baixo peso. É muito importante que você proporcione sempre ao seu periodontista uma história médica ampla e precisa, incluindo os probelmas de coração que você tenha conhecimento. Seu periodontista e médico podem trabalhar em conjunto para ajudá-lo a proteger tantos suas gengivas quanto sai saúde em geral. Como disse o antigo diretor da saúde, C. Everett Kopp, "uma pessoa não é saudável sem boa condição oral". Os riscos de doença do coração incluem o fumo, o excesso de peso e etr elevados índices de colesterol ou pressão sangüínea. Agora surgem evidências crescentes indicando que ter doença periodontal pode aumentar o seu risco de doença do coração. Por exemplo, estudos recentes indicam que pessoas com doença periodontal podem ter quase o dobro do risco de um ataque cardíaco fatal, em comparação com os que não têm o problema.