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Qual
a relação entre a doença periodontal (infecção gengival e óssea)
e o desenvolvimento subseqüente de cardiopatia? Existe alguma
relação de causa e efeito? Durante os procedimentos mais invasivos
(cirúrgicos periodontais), quais os cuidados profiláticos que
devemos tomar em relação às cardiopatias? E para um paciente aparentemente
saudável, que em uma anamnese não relatou problemas cardíacos?
De que forma o paciente com prolapso de válvula mitral deve ser
atendido pelo periodontista ou clínico? Como um paciente normal?
Este paciente corre o risco de desenvolver endocardite bacteriana?
De acordo com o doutor José Carlos Câmpora, chefe da equipe médica
do Centro Integrado de Medicina Interna que atende nas áreas de
clínica médica e cardiologia no Hospital Nove de Julho, não há
estudos ou estatísticas específicos em relação a doença periodontal
e o desenvolvimento subseqüente de cardiopatia, mas os riscos
relacionados a esses pacientes podem ser avaliados pelos mesmos
índices usados para patologias de características semelhantes.
"Usamos os índices ASA (American Society of Anesthesiology) e
Goldman, que são aceitos internacionalmente. Estão graduados de
risco I (mínimo) a risco V (máximo)." Para ele, também não há
uma relação causa e efeito. A doença periodontal leva a um processo
de natureza inflamatória e infecciosa, além de exigir o uso de
medicamentos e de procedimentos anestésico-cirúrgicos. No entanto,
alerta, a doença periodontal, assim como qualquer processo infeccioso,
pode agravar o quadro clínico e dificultar o tratamento de um
paciente cardiopata. "Vale lembrar que as patologias e procedimentos
periodontais podem ser a "porta de entrada" em casos de endocardite
bacteriana. É sabido que os focos de infecção odontológica são
uma das principais fontes causadoras de endocardite. Por isso,
acredito que no acompanhamento desses pacientes seja fundamental
na realização de exames odontológicos periódicos para a erradicação
de eventuais focos infecciosos. Mas mais importante que imaginar
o dano que acidentalmente possa ser causado a esses pacientes,
é sabermos que os procedimentos realizados dentro de uma técnica
perfeita e cuidados de profilaxia - que incluem uma boa avaliação
e preparo pré-operatório do paciente podem levar à maior segurança
e a resultados isentos de complicações. Fica também clara a importância
de um bom cuidado odontológico na manutenção de condições estáveis
para o paciente cardiopata." Já os pacientes portadores de valvopatias,
mal formações congênitas, próteses valvares, entre outras, necessitam
de antibioticoterapia profilática para endocardite bacteriana
antes de procedimentos periodontais. Quanto aos portadores de
prolapso de valva mitral, doutor Câmpora afirma que esse cuidado
só estará indicado quando - associado ao prolapso - existir incompetência
valvar e/ou degenerativa mixomatosa das lascíneas valvares. "Ocorre
que muitas dessas situações podem ser assintomáticas e passar
desapercebidas. Os dados da anamnese não são suficientes para
uma avaliação correta, sendo por isso recomendável que os pacientes
sejam submetidos a uma avaliação cardiológica prévia ao procedimento
a ser realizado", ressalva o médico clínico cardiologista. Por
isso, doutor Câmpora recomenda seguir as normas da American Heart
Association, que estipula o uso da amoxacilina (2 gramas via oral
para adultos ou 50 mg/kg de peso para crianças), uma hora antes
do procedimento. E em pacientes alérgicos fique atento: deve-se
usar, como alternativas, a clindamicina, cefalosporina, azitromicina
ou claritromicina. Porém, Câmpora comenta que deve considerar
que os analgésicos e antiinflamatórios hormonais (corticoesteróides)
e não hormonais (aspirina, butazona, diclofenaco etc.) podem levar
a distúrbios gastrointestinais, retenção hídrica, danos de função
renal e alterações da coagulação sangüínea, principalmente em
pacientes idosos. Podem ainda modificar a ação farmacológica de
certos medicamentos usuais na clínica cardiológica (cumarínicos,
por exemplo). Por sua vez, os anestésicos locais, principalmente
quando associados a vasoconstritores, podem provocar e agravar
distúrbios no ritmo cardíaco e variações de pressão arterial.
E ainda levar a metahemoglobinemia (prilocaína). "Tudo isso nos
faz concluir que uma boa avaliação clínicocardiológica do paciente
idoso, cardiopata, usuário de medicamentos para controle de pressão
arterial, diabetes, problemas circulatórios etc., é ideal para
a segurança do procedimento." Quanto aos pacientes portadores
de marca-passo cardíaco, doutor Câmpora afirma que não apresentam
qualquer contra-indicação ao uso do ultrassom odontológico, bem
como a qualquer modalidade de ultrassonografia, uma vez que não
existe influência do ultrassom no funcionamento do marca-passo.
"O que ocorre nesses pacientes é a contra-indicação à realização
de exames de ressonância magnética e a necessidade de alguns cuidados
especiais em cirurgias com uso do bisturi elétrico", alerta. Por
todos esses detalhes, o doutor Câmpora afirma que o hábito de
avaliar clínica e cardiologicamente o paciente antes de qualquer
procedimento odontológico que envolva cirurgia, medicação, anestesia
etc. deve ser rotineiro. "Isso levará à maior segurança para o
paciente e tranqüilidade para o profissional. E lembra: "esse
intercâmbio requer maior atualização do clínico-cardiologista
em relação às condutas e patologias odontológicas e, necessariamente,
a idéia de que um trabalho em equipe faz qualquer procedimento
médico/odontológico deixar de ser um "vôo cego" e passar a ser
uma "viagem programada". O caminho ideal, segundo ele, é a maior
integração entre as unidades de classe, como a Sociedade Brasileira
de Cardiologia, Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo,
Conselho Regional de Odontologia, entre outras. "Essa maior integração
poderá levar à abordagem rotineira de assuntos odontológicos nos
congressos de cardiologia e vice-versa, trazendo ao profissional
de uma área maior conhecimento da outra e promovendo maior integração
entre o dentista e o cardiologista, que certamente beneficiará
em muito o paciente." Dr. Câmpora finaliza comentando que é válido
ainda que o dentista seja incentivado a criar o hábito de manter
contato com o cardiologista do paciente e vice-versa em todos
os eventos inter-relacionados, levando a um atendimento multidisciplinar
mais abrangente e mais seguro. Veja o que a The American Academy
of Periodontology comenta sobre a inter-relação odontologia e
cardiologia Por que devo me alertar quanto à ligação entre doença
do coração e doença periodontal? Corações e gengivas saudáveis
desempenham papéis vitais na manutenção de um corpo sadio. Porque
a doença periodontal é uma infecção bacteriana, as bactérias periodontais
podem entrar na corrente sagüínea, viajar para os órgãos mais
importantes e dar início a novas infecções. O coração é um dos
órgãos mais susceptíveis. A doença do coração (ou doença cardiovascular)
afeta mais de 60 milhões de americanos. É a principal causa de
morte nos Estados Unidos. Entretanto, muitas formas de doença
do coração podem ser prevenidas. Cuidar de sua saúde periodontal
pode ser um passo importante no rumo da prevenção, ao lado do
controle dos conhecidos fatores de risco de doença do coração.
Como a doença periodontal aumenta meu risco de uma doença do coração?
Existem diversas teorias para explicar a ligação entre doença
periodontal e doença do coração. Uma teoria é de que as bactérias
orais podem afetar o coração quando elas entram na corrente sangüínea,
aderindo às placas de gordura nas artérias coronárias (vasos sangüíneos
do coração) e contribuindo para a formação de coágulos. A doença
da artéria coronária é caracterizada por um espessamento das paredes
das artérias coronárias devido à elevação de proteínas gordurosas.
Os coágulos de sangue podem obstruir o fluxo normal do sangue,
restringindo a passagem das quantidades de nutrientes e oxigênio
necessárias para que o coração funcione adequadamente. Isso pode
levar a ataques do coração. Os pesquisadores descobriram que as
pessoas com doença periodontal têm quase o dobro das possibilidades
de sofrer de doença de artéria coronária em comparação com os
que não têm a doença periodontal. Quais as precauções a tomar
antes do tratamento dentário? A doença periodontal pode afetar
o coração de outras formas. Algumas condições existentes no coração
podem levar as pessoas ao risco de endocardite infecciosa. A endocardite
infecciosa é caracterizada pela inflamação do revestimento do
coração e das válvulas cardíacas. Pacientes com um histórico de
febre reumática, prolapso da válvula mitral ou sopro do coração
podem necessitar de antibióticos antes dos procedimentos dentários.
Seu periodontista e seu cardiologista serão capazes de determinar
se suas condições do coração exigem o uso de antibióticos antes
dos procedimentos dentários. A Associação Americana do Coração
identificou princípios de ajuda na proteção dos pacientes de maior
risco de endocardite infecciosa. Essas pessoas podem estar sujeitas
especialmente a problemas de coração em seguida a um procedimento
dentário. Se você apresentar um risco de endocardite infecciosa,
seus dentista e/ou periodontista podem tomas medidas para ajudar
na limitação da entrada de bactérias na corrente sangüínea durante
os procedimentos dentários, que incluem: ü tratamento de qualquer
infecção periodontal existente; ü prescrição de antibióticos antes
do procedimento; ü pedir-lhe que faça mais visitas de manutenção;
ü ajudá-lo a prevenir a doença periodontal mediante a revisão
do cuidado adequado para seus clientes em casa. Se você sabe que
tem doença do coração ou está sendo submetido a um tratamento
de complicação cardiovascular, é especialmente importante para
você apresenatr boa saúde periodontal. Procure um periodontista
para uma avaliação periodontal. A doença periodontal tem sido
também ligada a outros importantes problemas da saúde, incluindo
doenças respiratórias, diabetes, osteoporose e nascimentos prematuros
ou de baixo peso. É muito importante que você proporcione sempre
ao seu periodontista uma história médica ampla e precisa, incluindo
os probelmas de coração que você tenha conhecimento. Seu periodontista
e médico podem trabalhar em conjunto para ajudá-lo a proteger
tantos suas gengivas quanto sai saúde em geral. Como disse o antigo
diretor da saúde, C. Everett Kopp, "uma pessoa não é saudável
sem boa condição oral". Os riscos de doença do coração incluem
o fumo, o excesso de peso e etr elevados índices de colesterol
ou pressão sangüínea. Agora surgem evidências crescentes indicando
que ter doença periodontal pode aumentar o seu risco de doença
do coração. Por exemplo, estudos recentes indicam que pessoas
com doença periodontal podem ter quase o dobro do risco de um
ataque cardíaco fatal, em comparação com os que não têm o problema.
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