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De
uns tempos para cá, os meios universitários estão sendo
submetidos a um tipo especial de avaliação das faculdades
em todo o País: o chamado Provão. Para as escolas, o Provão
representa uma ameaça, já que está subjacente, na sua implantação,
que o ensino superior no Brasil vai mal. Por isso, o Ministério
da Educação encontrou no Provão a maneira de avaliar a qualidade
do ensino praticado. Testar os alunos parece ser uma forma
absolutamente imparcial de avaliar cada uma das escolas.
Afinal, os alunos não estão comprometidos com a direção
de suas faculdades. Sua independência parece mais que óbvia.
E o próprio Provão estimulou esta independência, ao informar
que, na eventualidade de fechamento de uma faculdade, os
alunos desta escola poderão obter matrícula em outra unidade,
na mesma cidades ou cidade próxima.
E assim se fez. O Provão serviria para apresentar uma avaliação
efetiva e imparcial do ensino superior no Brasil.
Será verdade?
A resposta é não. Porque, pelo menos no campo de ensino
da Odontologia, aconteceu um movimento inesperado: as faculdades
deixaram de lado a prática, o trabalho na clínica odontológica,
e passaram a ensinar exaustivamente a teoria. Com isso,
preparavam melhor os seus alunos para enfrentar o Provão
e conseguir boas notas. Estava concentrado o caminho da
aprovação das faculdades...
O que acontece, então? Alunos de faculdades pouco equipadas,
sem muitos recursos para a clínica prática, obtêm boas notas
no Provão e a faculdade alardeia o resultado obtido. Incorpora
o resultado ao seu marketing, para assim angariar novos
alunos. Na avaliação de uma faculdade examinam se a formação
científica proporcionada pela escola, seus projetos de pesquisa,
as instalações da faculdade e a pós-graduação do corpo docente.
Mas ocorre que tudo isto está posto de lado, em favor exclusivamente
do Provão, que passa a ser o único critério de avaliação.
E os alunos destas faculdades que foram bem no Provão, como
ficam? Cada vez mais enredados na teoria, não aprendem a
manobrar instrumentos, têm poucas oportunidades de saber
como prepará-los enfim, não dispõem da desejada familiaridade
com a prática odontológica.
No século I a C., o tribuno romano Publilius Syrus já ensinava
que "a prática é o melhor dos instrumentos". O que o provérbio
latino confirmava com "a prática leva à perfeição". Brasileiramente,
é comum dizer-se que vale mais a prática que a gramática...
Não pretendo, com essas observações, diminuir a importância
do conhecimento teórico. Afinal, a ciência existe somente
em função daquilo que foi levantado em estudos e pesquisas,
da soma das avaliações, do acompanhamento dos casos. A reunião
desses dados criou as normas, as doutrinas, as teses formadoras
dos conceitos básicos de cada ciência.
Um pensador, Matthew Arnold (1822-1888), já dizia, com propriedade,
que "entre o mundo das idéias e o mundo da prática os franceses
suprimem um e os ingleses o outro, mas nenhum deles pode
ser desprezado".
O que aqui se prega é justamente o equilíbrio entre a teoria
e a prática, a sintonia de uma com a outra, o sincronismo
dos conhecimentos advindos de cada vertente do conhecimento.
É, ao mesmo tempo, um alerta para a relatividade de certas
avaliações advindas do Provão. Nossa intenção é simplesmente
a de levantar a questão, para se chegar à desejável harmonia
entre a teoria e a prática odontológica. Dessa harmonia
surgirão, certamente, profissionais perfeitamente preparados
e aptos a desempenhar suas tarefas com plano de conhecimento
do trabalho. Prático e teórico.
*Célio
Nabuco Filho é professor assistente da
Unip e colaborador do Periodonto |
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