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Tíre sua dúvidas a
respeito da especialidade Periodontia. Caso você queira
colaborar conosco, é só enviar a sua questão
para a Sobrape que nós entraremos em contato com especialistas
da área para respondê-la. Nesta primeira edição,
trataremos dos assuntos pastas antissépticas, à
base de hidróxido de cálcio, e quais são
as vantagens dos procedimentos endodônticos associados
ao tratamento periodontal das lesões endopério.
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A utilização intracanal
de pastas antissépticas (à base de hidróxido
de cálcio) pode, mediante trocas periódicas, favorecer
o processo reparacional das lesões endoperiodontais? |
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O Dr. Miguel Poggi Amorin
Zinet responde: o
conceito de lesão pulpoperiodontal envolve, entre outros
aspectos, discussões em torno do estado de saúde
pulpar. Está sobejamente demosntrado que diante da presença
de processos inflamatórios pulpares decorre agravamento
de doença periodontal preexistente, dificuldades, ou mesmo
impossibilidade de cura periodontal, mesmo que todos os cuidados
nesse nível sejam dispensados ao paciente. Diante da mortificação
pulpar, o quadro pode agravar-se ainda mais, dada a presença
intracanal de produtos tóxicos oriundos da decomposição
tecidual e do metabolismo bacteriano, induzindo em nível
da unidade funcional dente-ligamento pertubações
diversas, entre as quais o abaixamento do pH, que assume caráter
extremamente ácido. O esvaziamento e neutralização
do conteúdo do canal, associado ao preparo químico-cirúrgico,
propiciam um controle inical da situação.
A inserção de medicação
intracanal e sua renovação periódica, em
concomitância à aplicação de cuidados
de ordem periodontal, parecem ser o melhor caminho para o restabelecimento
funcional das áreas afetadas. O tratamento de alterações
pulpoperiodontais, em associação ao tratamento
endodôntico convencional, não permite plena eliminação
das bactérias alojadas na intimidade dentinária
e tampouco propicia aproveitamento medicamentoso, fatos que têm
melhores possibilidades em se viabilizarem se a opção
for uma terapia de médio a longo prazos, caracterizando
um mecanismo de "condicionamento" das paredes dentinárias
radiculares. |
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Quais as vantagens dos procedimentos
endodônticos associados ao tratamento periodontal das lesões
endopério? |
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O Dr. Salvador Nunes Gentil
esclarece: a porção
radicular da cavidade pulpar encerra inúmeras ramificações,
criando por vezes um emaranhado de canais e canalículos,
cujo conjunto convencionou-se chamar de "Sistema Endodôntico".
Algumas destas ramificações, que podem ocorrer
em qualquer grupo dental, permitem a comunicação
direta deste Sistema Endodôntico às estruturas periodontais
em diferentes níveis, com maior prevalência no terço
apical radicular. Clínica e radiograficamente, não
existe clareza e facilidade na identificação dos
canais que emergem do canal principal. Contudo, com os trabalhos
que utilizam a injeção de elastômeros e,
principalmente, com a diafanização de dentes humanos,
pode-se evidenciar grandes variações anatômicas
e sua intimidade com o periodonto. Sua presença representa,
quando de estado patológicos pulpares, a equivalente resposta
no ligamento periodontal e outras estruturas de suporte. Outrossim,
o caminho inverso da resposta inflamatória também
é observado, quando agentes irritantes localizados nas
estruturas periodontais catalizam reações inflamatórias
para a polpa dental.
A presença destas comunicações
justifica por si uma adequada descontaminação do
canal radicular e seus afluentes com especial atenção
nas situações de processos diagnosticados com "síndrome
endoperiodontal", procurando-se trabalhar na permeabilidade
dentinária para que as medicações utilizadas
como curativo de demora venham atuar também nas estruturas
periodontais, especialmente "cemento e ligamento".
O diagnóstico é
bastante dificultado, já que os achados histológicos
muitas vezes não correspondem aos indícios clínicos,
agravado pelo fato de podermos encontrar ainda lesões
inflamatórias pulpares irreversíveis ou até
necrose parcial deste tecido pulpar. Ocorrem perdas ósseas
discretas em determinadas situações observadas
nos exames radiográficos, e determinados grupos de fibras
do ligamento periodontal perdem a sua função, gerando
mobilidade dental.
Recomenda-se, após as
manobras de preparo químico-cirúrgico, condicionar
s paredes dentinárias com substâncias quelantes,
como EDTA-T e, em seguida, aplicar uma medicação
local à base de hidróxido de cálcio veiculado
em polietilenoglicol, que pode ser renovada. Evidentemente, em
decorrência desta síndrome, é conveniente
que agentes irritantes localizados no periodonto de sustentação
sejam removidos através de eficiente RACR (raspagem e
alisamento coronoradicular), podendo ser complementada por irrigações
da bolsa periodontal com agentes antissépticos. |
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