|
A cada ano as
doenças cardiovasculares matam mais pessoas,
em todo o mundo, do que o câncer e outros graves
problemas da saúde. Ao mesmo tempo em que alguns
cidadãos estão preocupados em criar um
estilo de vida que inclua a prática de uma alimentação
correta, de uma rotina de exercícios físicos
e do abandono do cigarro - para a prevenção
dos problemas cardiovasculares - eles desconhecem a
importância da limpeza bucal diária (incluindo
fio dental, escovas interdentais, cremes dentais e escovas
comuns) como uma possível ferramenta de controle
do risco para doenças letais, como essas, além
do reconhecido efeito para a saúde bucal.
Um artigo publicado
na edição de dezembro do Journal of Periodontology
(JOP), além dos textos do livro Cardiologia e
Odontologia - Uma visão integrada, publicado
pela Editora Santos, em 2007, graças a uma parceria
da Sociedade Brasileira de Periodontia (SOBRAPE) e da
Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo
(SOCESP) e, finalmente, um artigo sobre a relação
da doença periodontal com a cardiovascular na
edição de junho de 2007, da Revista Periodontia*
- sugerem que os pacientes com doença periodontal
podem apresentar um incremento no risco para o desenvolvimento
das doenças cardiovasculares. (criar um ícone
que dá acesso direto ao resumo do estudo publicado
sobre DP x DCV na Revista Periodontia - v.17, no.2,
jun 07)*
- "Apesar de
uma série de estudos cogitarem a associação
entre as doenças das gengivas (periodontais)
e doenças cardiovasculares, não sabemos
exatamente como isso acontece e em quais circunstâncias."
é o que fala o editor do JOP Dr. Kenneth Kornman.
Os achados das novas análises sobre o que havia
sido publicado nos estudos que sugeriam efeitos à
longo prazo das doenças periodontais crônicas
frente ao desenvolvimento das doenças cardiovasculares
poderiam justificar, parcialmente, o desenvolvimento
dessas doenças do aparelho circulatório.
Para o Dr. Antônio W. Sallum - "os novos estudos
que incluem a avaliação dos efeitos do
tratamento periodontal para a melhora dos indicadores
de saúde geral, podem justificar - a médio
e longo prazo, a possibilidade de prevenção
da recidiva ou de novos problemas cardíovasculares
- o que seria um reforço de peso para as evidências
disponíveis até o momento". Na investigação
epidemiológica, realizada em 2002, junto a um
grupo de coronariopatas de um importante centro médico
da capital de São Paulo, José Leonardo
Simone, Carlos Gun e Rodrigo G. Bueno de Moraes - notaram
um grande número de casos da doença periodontal
nos pacientes cardíacos cobertos pelo estudo.
" Ao contrário do que muitos pensam, a doença
periodontal pode ter uma associação "mais
intensa e freqüente" com a aterosclerose do que
com a perigosa endocardite infecciosa", cogita o Dr.
Cláudio Pannuti - integrante da diretoria da
SOBRAPE.
Pesquisadores
da Universidade de Howard (EUA) identificaram 11 estudos
científicos em que os diagnósticos dos
problemas periodontais foram obtidos previamente ao
surgimento dos sinais das doenças cardiovasculares
nas populações investigadas. Algumas outras
pesquisas verificaram um aumento nos níveis de
substâncias inflamatórias disponíveis
na corrente sanguínea de doentes periodontais.
Isso poderia conduzir às complicações
cardiovasculares, especialmente as oriundas da aterosclerose.
Outros estudos
- como os conduzidos pela Dra. Lenize Zanotti Dias (SOBRAPE
/ES) - localizaram as bactérias, provenientes
dos focos bucais da doença periodontal, dentro
das placas de gordura (ateromas) removidas nos procedimentos
de cateterismo a que se submeteram os doentes cardíacos
daquele estado.
Apesar da autora
alegar que "novas pesquisas seriam necessárias
para comprovar o papel de risco da doença periodontal
- no estabelecimento e/ou evolução da
doença cardiovascular - as evidências disponíveis
já permitem despertar, na população,
a preocupação com a manutenção
de uma boa saúde bucal". O diretor do jornal
O Periodonto, Dr. Fernando Soares especula que "as infecções
ao redor de implantes mal cuidados, pelos seus portadores,
poderiam representar problemas locais e, porque não,
sistêmicos - uma vez que esses implantes mal conservados
se tornariam potenciais focos infecciosos na cavidade
bucal".
- "Enquanto mais
pesquisas são realizadas, em todo o mundo, para
entender qual a real conexão da doença
periodontal com a cardiovascular, as avaliações
já existentes sugerem que - a preservação
dos dentes e das gengivas, em saúde, é
uma forma de colaborar com a saúde geral - incluindo
a cardiovascular - atesta a Dra. Susan Karabin (Presidente
da AAP-EUA). O Presidente da SOBRAPE, Dr. Roberto F
M Lotufo comenta que "as visitas periódicas ao
dentista de confiança, quando somadas aos cuidados
bucais diários - pelo menos 2 vezes ao dia -
à partir do uso das escovas, cremes dentais e
do fio dental . Essas atitudes representariam à
base para evitar o estabelecimento e /ou as evoluções
mais drásticas da doença periodontal -
o que pode fazer a diferença para a saúde
do aparelho circulatório".
|